5 de nov de 2009

Estilo Jurássico versus Gestão Empreendedora


Por Mauro Nunes*
para o Blog do Fábio Rodrigues

Em conversas com amigos sempre defendi uma teoria subjetiva para avaliar desempenho. Mesmo correndo o risco de ter Taylor e Fayol se remoendo em seus túmulos, considero que a forma mais eficaz de se avaliar o cumprimento de uma missão é ver o brilho alegre dos olhos e o entusiasmo espontâneo do missionário.

É uma teoria nada ortodoxa. Em que se foge do tradicionalismo e receitas prontas para valorizar a inteligência natural.

O brilho nos olhos é a energia e vibração que antecede o entusiasmo contagiante. O entusiasmo é o senhor da determinação. Se a alegria nos olhos extrai sua essência da missão, enfrentar desafios e persistir no embate passa a ser obsessão.

E esta só tem uma direção: cumprimento da missão. O indicador derradeiro de desempenho. Leonardo Da Vinci, Thomas Edison e Albert Einstein tinham brilho nos olhos, entusiasmos pelo que faziam e reconhecido desempenho pelo que produziram.

Essa introdução, desconexa, é para manifestar a minha convicção de que é possível, e desejável praticar estilos inéditos de governar.

Estilo em que a racionalidade institucional seja substituída pela inteligência emocional. Em que a subjetividade seja levada em conta. Onde a astúcia e a esperteza, tão consagrada na política, seja substituída pela sutileza e refinamento no trato com a sociedade.

Apostar-se-ia numa clara quebra de coerência, em favor da inteligência. Onde a inovação substituiria a repetição. Seria, sem dúvida, um avanço no estilo de governar! Essa postura exigiria amadurecimento e mudança de paradigma dos que estão atualmente no poder. Como acontece com processos que envolvem adaptação cultural.

É preciso que as equipes de governo lancem um novo olhar sobre o Estado. Um olhar que lembre mais um executivo em busca do cumprimento de sua missão, do que de um político caçando notoriedade popular.

Para isso é da mais fundamental importância que se tenha clareza quanto à essencialidade de um arranjo organizacional de governo compatível com as estratégias que deseja implementar. A excelência de qualquer governo seja federal, estadual ou municipal, será resultado da excelência dos talentos humanos com os quais possa contar.

É preciso lideranças políticas que demonstrem impaciência quanto a modismos e aos vícios na aplicação de receitas prontas. É necessário superar a mesmice das estruturas organizacionais. Combater o estilo jurássico e denunciar dificuldades e lentidão em incorporar aos seus métodos o pensamento estratégico e avançado de lideranças.

Claro que não é fácil ser simples, direto, diferente e inédito, e ainda por cima usar a inteligência natural. É comportamento incompatível com a cultura organizacional da administração pública burocrática.

Além da falta de sintonia entre os dirigentes de um lado e os estrategistas e executores do outro, há clara desconexão entre a vontade de mudar e a compreensão para relaizar a mudança.

A questão é bem mais complexa do que se imagina. Se bem que os estrategistas de governo poderiam começar por harmonizar e oferecer simetria na comunicação entre governantes e suas equipes. Depois, compreensão, sensibilização e capacidade de fazer acontecer.

Os princípios de gestão pública empreendedora, e que atendidos, preparam o governo, para uma gestão estratégica, como às vezes parece ser a intenção do governante ou dirigente público, recomendam agir sobre três áreas distintas e inter-complementares.

Superar a administração pública burocrática e transformá-la em gestão pública empreendedora. Uma gestão voltada para resultados e criação de valor para a sociedade. Uma gestão da caça e da valorização dos seus talentos. Uma gestão que estimule idéias e incentive a criatividade.

É imperativa a perseguição obsessiva de uma gestão inovadora. Aquela sobre a qual nossos filhos e netos possam afirmar que nesses primeiros anos do século XXI a sociedade compartilhou a construção de futuro mais seguro, por contar com dirigentes que fizeram a diferença ao adotar um estilo de gestão empreendedora.

Hoje, mais informada, a sociedade sabe que discursos, diagnósticos e mesmo a disponibilização de eficazes ferramentas de planejamento não terão conseqüências – ou serão incompletos – se não se contar com estruturas e gestores organizacionais eficazes na implementação das decisões convergentes com os interesses da coletividade.

Este é o grande desafio para reforçar a governança e fortalecer a governabilidade. A sociedade está sempre esperançosa com o início da construção de um ambiente favorável ao surgimento de uma gestão governamental moderna e empreendedora.

Traduzida em mudança de mentalidade e benefícios para todos e para toda a sociedade, independentemente da cor da camisa.

* Consultor de Estratégias empresariais e governamentais. Facilitador de Cursos de Gestão Estratégica.
Contribuições aos Sistemas Sebrae Unimed e O Boticário. Professor universitário, Diretor de Estratégias do Sebrae Nacional. Co-autor do Plano de Prioridades para as MPEmpresas brasileiras. Membro do movimento que criou o Sistema Nordeste de Apoio às MPE. Missão propositva de políticas de apoio aos pequenos negócios em Angola. Fundador da Institução (NAI), uma das inspiradoras da criação do Sebrae.



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