22 de fev de 2011

A Folha já cumpriu o seu papel


Por Mariana Martins*
para o Blog do Fábio Rodrigues

A Folha de São Paulo fez no último dia 19 de fevereiro 90 anos. Um dos jornais de maior circulação no Brasil é também um dos jornais mais polêmicos quando a questão envolve os seus posicionamentos políticos. Esta polêmica, sem dúvida, teve sua época áurea nos últimos oito anos que marcaram o governo do ex-torneiro mecânico, eleito pelo Partido dos Trabalhadores, Luís Inácio Lula da Silva, contra o qual o jornal orquestrou constantes guerras midiáticas. Eu, no meu espírito democrático, não ousaria dizer que não há o que se comemorar nesses 90 anos.

Como professora de ética para o curso de jornalismo, eu tenho até que confessar que eles me ajudam, me munem sempre de bastante polêmica para trabalhar em sala de aula o não fazer jornalístico. A mídia brasileira como um todo também contribui para a sempre necessária “moral da história” que é: estamos distante da democracia possível (quiçá a ideal).

Sempre protegidos pela mascara de defensores da liberdade de imprensa (muitas vezes querendo fazer confundir esta com a liberdade de expressão, que é individual e não pode ser transferidas a interesses empresariais) os grandes jornais, dentre eles a FSP, se expõem como verdadeiros paladinos da ética e da moral, quando não raras vezes se deixam entregar por frases perdidas. Seja por um editorial que classifica a ditadura Brasileira de “ditabranda”, seja por declarações da atual Diretora Presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) - a representante do Grupo Folha, Judith Brito - que declarou – mesmo em oposição ao que diz o Código de Érica da ANJ – que os jornais deveriam fazer o papel da oposição no Brasil.

A tal imparcialidade, que nem eu acredito, mas eles juram de pé junto ser o que eles fazem, fica sem defesa em episódios como este, mas infelizmente eles [os jornalões] ainda são os mais lidos pela elite letrada desse país. Sorte a nossa que o efeito pedra no lago, depois da atomização das massas, está cada vez mais em desuso. Principalmente depois das três últimas eleições e, lógico, você sabe o motivo.

Foram oito anos de perseguição ao ex-presidente da república, algumas vezes cumprindo, de fato, o papel de uma imprensa repercutindo fatos, outras vezes, carregando na tinta e na maioria e piores vezes destilando veneno da mais baixa qualidade. Lula teve que aguentar, sem requerer o seu legítimo direito de resposta, ser acusado de bêbado, de ladrão e até mesmo de pedófilo! Lula ficou calado e assim mesmo foi considerado um inimigo da liberdade de imprensa. Eu, particularmente, daria um prêmio de honra à paciência ao ex-presidente por tudo que teve que ouvir e não responder. E eu não estou falando só de críticas, se fosse isso, estaríamos exercitando a democracia, estou falando de insultos, mentiras...Isso não é liberdade de imprensa, isso é falta de ética, falta de caráter.

Mas por falar em exercitar o espírito democrático e a capacidade de receber críticas, eu vou, para finalizar este artigo desabafo, lembrar que o único veículo que não aguentou ver a liberdade dos outros em ação foi a própria Folha de São Paulo que, no ano passado, por meio de uma liminar tirou do ar uma página na Internet que parodiava o jornal e se chamava Falha de São Paulo. A Falha de São Paulo, no exercício legítimo e democrático da crítica, usava as próprias manchetes da FSP para mostrar a parcialidade deste na campanha em curso. E o que foi que aconteceu? Exercício do autoritarismo por parte da Folha de São Paulo que tirou a página do ar.

É, acho que com esse exemplo a gente pode terminar o debate sobre quem defende às liberdades de imprensa e de expressão e vocês podem tirar as suas próprias conclusões. O que eu tenho a dizer é que os 90 anos de existência já foram suficientes para os atuais e futuros profissionais do jornalismo aprenderem o que não se deve fazer. Ou seja, a Folha já cumpriu o seu papel.

Obs.: Você deve estar se perguntando se eu não vou falar de tudo que a Folha de São Paulo fez para Dilma durante a campanha? A ficha falsa do DOPS e as informações sempre desencontradas. O motivo pelo qual surgiu a Falha de São Paulo! Tantas coisas... É mas eu vou deixar a relação FSP X Dilma para as comemorações dos 100 anos ou quem sabe, para as comemorações do fim do império da falta de ética nas comunicações.

* É jornalista. Doutoranda em Políticas de Comunicação e Cultura pela Universidade de Brasília. Professora de Ética para os cursos de comunicação social.



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3 comentários:

  1. Parabéns a Dilma por seu gesto. Capitalizou simpatias por todas as partes. Onde vou só ouço
    falar no gesto de nobreza da Presidenta.
    Sinto grande orgulho por isso.

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  2. Parabéns por ensinar a seus alunos a Parcialidade situacionista, por levar pra sala de aula sem ponto de vista político e ludibriar as mentes eufóricas de futuros jornalistas (q certamente ñ passaram de bonequinhos de redação). No seu mundo jornalístico imaginário vc Esquece dos dados que acabaram de ser divulgados,do Comitê para a Proteção dos Jornalistas(http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/02/brasil-bate-recorde-de-noticias-censuradas-no-google.html) Recorde em textos jornalísticos Censurados, principalmente em época de campanha, e oq dizer sobre o projeto de campanha da Presidente Dilma que previa prejuízo a liberdade de Imprensa, e logo após a divulgação e repercussão do mesmo foi subliminado pela gestão de campanha da presidenTA, e pra terminar, quero dizer que em todos meus anos como estudante de Jornalismo, Nenhum dos meus grandes Mestres da UEPB chegou a pelo menos ensaiar euforia ao falar que o veículo impresso perde espaço para outros meios automatizados, como vc faz no seu artigo.. Mas enfim a opinião é sua.. Eu estou aqui só Pra contestar mesmo, posso? ou vão me censurar? por não simpatizar com algumas medidas da PresidenTA, como por exemplo o salário mínimo ser reajustado por decreto.. E a Democracia ficou Onde? No discurso do Torneiro Mecânico (aquele discurso inflamado da sua primeira campanha...

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  3. Lamartine, Sobre o relatório do CPJ a única coisa que eu tenho a dizer é: Lei o texto de Venício Lima
    http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4970
    Eu não defendo da liberdade de empresa, defendo a liberdade de imprensa e por isso o relatório da CPJ para mim não se sustenta. Pois, citando, Lima, ele não cita sequer um caso de perseguição de jornalistas pelos meios de comunicação. Sem falar que o relatório "imparcial" como tudo nessa grande mídia, é FINANCIADO pelas empresas de comunicação. Para mim ele não representa NADA que não os interesses dos empresários. Esse não é o fim da comunicação que eu pretendo ensinar e praticar.

    Abs
    Mariana

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