30 de dez de 2010

Rumo do novo marco regulatório depende de definições no Ministério das Comunicações




A indicação de Paulo Bernardo como ministro da Comunicações não define com clareza o tratamento que será dado ao debate da mudança do marco regulatório das comunicações no novo governo. A pauta está hoje sob a coordenação de Franklin Martins, ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social, que é favorável a um projeto que estabeleça um rompimento com a atual estrutura do ministério. Embora concorde com a necessidade de reestruturação do órgão, Paulo Bernardo prefere primeiro cuidar das tarefas que o levaram pra lá, ou seja, Correios e Programas de Inclusão Digital, incluindo o Plano Nacional de Banda Larga.

Dependendo da composição do segundo e terceiro escalão, o tema do marco regulatório pode terminar órfão. As escolhas de quem vai ocupar a Secretaria Executiva e de quem vai coordenar a Secretaria de Serviços de Comunicação Social Eletrônica (SSCSE) parecem ser decisivas para apontar os rumos do debate.

O secretário aventado pela imprensa para a SSCSE, André Barbosa Filho, pode não estar interessado em levar adiante uma discussão da qual pouco participou. Atual assessor da Casa Civil para radiodifusão, Barbosa se aproximou do setor nos últimos anos por causa da TV digital e poderia não se dispor a comprar as brigas inevitáveis em um processo como este. Este Observatório buscou contato com o assessor, mas foi informado de que ele se encontra em férias.

César Alvarez, assessor da Presidência da República atualmente responsável pelos programas de inclusão digital, trabalha para levar sua equipe para o Ministério das Comunicações, mas ainda não definiu com o novo ministro onde eles ficariam abrigados.

Conflitos entre as empresas

Entre os radiodifusores, há posições distintas sobre o assunto. Enquanto a Abert, que reúne Globo, Record e SBT, fala apenas na necessidade de ajustes na legislação, com mínima interferência estatal, outras emissoras, como a Bandeirantes e RedeTV, reunidas na Associação Brasileira de Radiodifusores (ABRA), colocam-se a favor de transformações mais profundas. “O marco regulatório demanda uma grande revisão para garantir a pluralidade das fontes de informação e a repressão ao abuso do poder econômico que hoje acontece”, afirma Walter Ceneviva, vice-presidente executivo do Grupo Bandeirantes de Comunicação.

Durante a I Conferência Nacional de Comunicação, da qual participou ativamente, a ABRA apresentou uma proposta que limita em 50% a proporção de ingressos publicitários de qualquer emissora no mercado de televisão. A proposta foi aprovada e está entre as 633 resoluções da Conferência. Ceneviva ressalta, contudo, que não adiantam mudanças se não houver exigência do cumprimento da lei. “É preciso que as leis atuais e as do futuro sejam cumpridas. Hoje há uma tolerância com a ilegalidade muito negativa para todos”, ressalta.

Mesmo entre os associados da Abert há divergências relevantes. O SBT publicou comunicado oficial no dia 14 em que afirma que “para estimular a competição e garantir a pluralidade da informação e dos conteúdos é necessário que existam mecanismos para o controle, de fato, da propriedade cruzada, especialmente para evitar formação de monopólios e/ou oligopólios”. O alvo é claro, e a declaração é um sinal de que a discussão do novo marco regulatório pode acirrar essas diferenças internas à associação.

Reforço da pauta

Entre os atores da sociedade civil interessados na mudança do marco regulatório, a expectativa é que o debate avance em 2011 e provoque mudanças concretas no setor. Para Celso Schröder, Coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o marco regulatório precisa ser ousado e não pode se configurar como uma acomodação de pressões de corporações e organizações patrimonialistas. “O novo ministro e sua equipe devem se dedicar a articular essa política para o futuro, tratando a comunicação como política de Estado”, diz Schröder. “O novo marco regulatório é a oportunidade para fazer isso. O governo tem legitimidade, ambiente e as ferramentas necessárias e precisa enfrentar esse debate”, completa.

Em novembro, a Secretaria de Comunicação Social realizou um seminário sobre convergência de mídias comparada que demonstrou a existência de regulação de conteúdo na maioria das democracias europeias. “O seminário desmontou o discurso contra a regulação”, diz Schröder. O evento comparou as diferentes estratégias que estão sendo usadas para tratar o tema das comunicações, e demonstrou uma tendência de se tratar conjuntamente telecomunicações e radiodifusão. De fato, as fronteiras entre esses dois setores estão cada vez mais turvas tanto para o mercado quanto para o usuário.

Para Jonas Valente, do coletivo Intervozes, a condução da reforma do marco regulatório “é uma tarefa central e deve ser encarada, a exemplo do que aconteceu na Argentina, dentro de um amplo processo de consulta pública e mobilização". Valente destaca ainda o desafio de re-estatizar o Ministério das Comunicações, parafraseando o professor da Universidade de Brasília, Murilo Ramos. “Isso significa torná-lo novamente um instrumento do Estado, e não das empresas, para formular o conjunto das políticas do setor, bem como para implantar parte substancial dela”. Schröder aponta na mesma direção. “O Ministério das Comunicações não pode ser um ministério menor, apenas com funções cartoriais”, diz o coordenador do FNDC.


Fonte: Observatório do Direito à Comunicação



Comente nossas postagens! Com problemas para comentar? (clique aqui)

Gostou desse assunto, envie para seus contatos.

Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.BlogdoFabioRodrigues.com.br
Contato: FabioRodrigues@FabioRodrigues.com


Clique aqui e leia texto completo

24 de dez de 2010

Último pronunciamento do Presidente Lula - Emoção para tod@s.





Comente nossas postagens! Com problemas para comentar? (clique aqui)

Gostou desse assunto, envie para seus contatos.

Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.BlogdoFabioRodrigues.com.br
Contato: FabioRodrigues@FabioRodrigues.com


Clique aqui e leia texto completo

23 de dez de 2010

Feliz Natal e um 2011 Cheio de Vitórias!


Por Fábio Rodrigues

Mais um ano termina. Energia se renova no corpo e na alma. Nem parece que o outro dia, dia 1º de janeiro, é simplesmente mais um dia. O que você fez de bom? O que você ainda vai fazer?

Quero agradecer a visita e participação de tod@s nesse ano que se passou, e ao mesmo tempo pedir desculpa pelos dois últimos meses que estive bastante ausente aqui no blog. Depois da vitória da companheira Dilma, no dia 31 de outubro, diminui um pouco o acelerador. E olhe que não era nenhuma Ferrari, quem sabe apenas um Fusquinha.

Estou com alguns projetos em mente e outros em execução. Comecei uma pos-graduação em Gestão Pública. Não quero abandonar o blog, mas vou ter que programar intervenções semanais. Espero que compreendam, e quem puder ajudar estamos de portas abertas para contribuições.

Ano que vem espero trazer novidades, quem sabe nov@s colunistas, uma nova linha editoral, não só política partidária, mas também direito do consumidor, dicas de como navegar com segurança na internet, democratização da comunicação social, ...

Quero deixar um abraço fraterno virtual para todos amigos leitores, desejando muita paz, saúde e felicidades, votos estes extensivo para seus familiares. Que o Natal sirva para perdoamos nossos pais, filhos, irmãos, marido, mulher, namorados, avós, tios, primos, amigos, colegas e até desconhecidos. Qualquer que seja o motivo, exercite a arte de Perdoar, Ame mais as pessoas do seu lado e não busque nelas apenas seus defeitos, tente visualizar suas qualidades e ampliá-las. Um 2011 Cheio de Vitórias para todos nós e um grande beijo no coração.

Enfim, viver, lutar, amar, trabalhar, estudar, agradecer, acreditar, realizar, ...



Comente nossas postagens! Com problemas para comentar? (clique aqui)

Gostou desse assunto, envie para seus contatos.

Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.BlogdoFabioRodrigues.com.br
Contato: FabioRodrigues@FabioRodrigues.com


Clique aqui e leia texto completo

22 de dez de 2010

Na diplomação, Dilma promete honrar as mulheres, cuidar dos mais frágeis e governar para todos


A presidente eleita Dilma Rousseff e o vice Michel Temer foram diplomados pelo TSE nesta sexta-feira (17). Com um discurso de seis minutos e meio, ela exaltou a figura do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ressaltou a importância da chegada de uma mulher ao posto mais alto de comando do País.

"É uma grande emoção tanto do ponto de vista da minha trajetória política como também da minha situação como mulher brasileira", disse Dilma.

Dilma afirmou que é uma “grande responsabilidade” suceder um presidente da “estatura” do presidente Lula e prometeu “honrar as mulheres, cuidar dos mais frágeis e governar para todos". Disse ainda que vai trabalhar pela estabilidade econômica do país e defender a liberdade de imprensa.

Declarou que é preciso aliar crescimento econômico com desenvolvimento social. “Nenhuma estratégia política e econômica é efetiva se não se refletir na vida de cada trabalhador, empresário e família.”

Dilma elogiou a Justiça Eleitoral pela modernidade na apuração dos votos nas eleições deste ano a forma como conduziu o processo eleitoral.

“Nós conquistamos no Brasil um processo excepcional. A lisura e eficiência da nossa justiça eleitoral são reconhecidas em todo o mundo”, disse.

A presidente eleita afirmou que o povo brasileiro amadureceu ao eleger um trabalhador e uma mulher para a Presidência da República.

Dilma também se disse emocionada . "Sem sombra de dúvida é uma imensa emoção receber esse diploma da corte responsável pelo processo eleitoral brasileiro", declarou.


Fonte: Portal PT



Comente nossas postagens! Com problemas para comentar? (clique aqui)

Gostou desse assunto, envie para seus contatos.

Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.BlogdoFabioRodrigues.com.br
Contato: FabioRodrigues@FabioRodrigues.com


Clique aqui e leia texto completo

13 de dez de 2010

Preconceito: um gol contra!




Por Fábio Rodrigues

Este vídeo acima demonstra como algumas pessoas ainda possuem preconceito para com os mais pobres. É, no mínimo, vergonhosa uma atitude como essa em pleno século XXI.

E o pior é que essa atitude é feita num meio de comunicação de alcance elevado e com um poder de influenciar a opinião pública. Podendo gerar uma cultura divisionista, onde os problemas sociais tenham sido gerados por apenas uma parte da sociedade, nesse caso específico os mais pobres. Que na realidade esses são vítimas dessa sociedade capitalista, consumista, individualista e excludente.

Lembro-me também nesse momento a forma inaceitável que Boris Casoy tratou os garis. Pena que algumas pessoas ainda acham que essas demonstrações de arrogância, prepotência e superioridade sejam aprováveis.

Enfim, esse blog se manifesta totalmente contrário a qualquer atitude descriminatória, quer seja com pobres, negros, mulheres, homossexuais, religiosos, ou qualquer outra minoria. Temos a certeza que só conseguiremos uma sociedade melhor quando houver o respeito pleno as visões, opiniões e atitudes divergentes e conflitantes. Democracia não é só voto de 2 em 2 anos!


Clique aqui e acesse todas postagens relacionadas a Boris Casoy.



Comente nossas postagens! Com problemas para comentar? (clique aqui)

Gostou desse assunto, envie para seus contatos.

Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.BlogdoFabioRodrigues.com.br
Contato: FabioRodrigues@FabioRodrigues.com


Clique aqui e leia texto completo

6 de dez de 2010

Frase do Mês - Novembro de 2010



Postagens relacionadas:"Frase do Mês - Outubro de 2010", clique aqui.
"O bom debate sobre a Blogosfera (XVII)", clique aqui.



Comente nossas postagens! Com problemas para comentar? (clique aqui)

Gostou desse assunto, envie para seus contatos.

Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.BlogdoFabioRodrigues.com.br
Contato: FabioRodrigues@FabioRodrigues.com


Clique aqui e leia texto completo

5 de dez de 2010

Internet supera jornal, rádio e revista como fonte de informação nas eleições


Pesquisa divulgada pelo TSE mostra que web ficou em 3.o lugar na escolha do eleitor para se informar sobre o 1.o turno, atrás apenas da TV e de conversas.

A Internet superou jornais, rádios e revistas como meio de informação do eleitor para a votação do primeiro turno, revelou pesquisa divulgada na segunda-feira (29/11) pelo Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com o relatório elaborado pelo Instituto Sensus a pedido do TSE, o meio Internet foi citado por 9,9% como o mais utilizado para se informar. Ficou atrás apenas da TV (56,6%) e de conversas com amigos e parentes (18,4%).

No levantamento, o jornal impresso foi apontado como meio mais utilizado por 6,4% e o rádio, por 4,2% dos entrevistados. As revistas foram a opção de 0,7%. Não houve respostas múltiplas - a soma das escolhas foi de 100%.

Na escolha de fonte de informação para a decisão de voto do segundo turno, contudo, a Internet aparece em sétimo lugar, com 1,7%, mesmo peso da leitura de jornais e revistas. Os debates entre os candidatos apareceram em primeiro lugar, com 18,8%; os programas dos candidatos na TV vêm em segundo, com 15,5%. Opinião de amigos, colegas de trabalho e parentes foram a escolha de 6,2% dos pesquisados.

Em relação à urna eletrônica, a pesquisa apontou que 85% das pessoas não tiveram dificuldade em operá-la. O índice de aprovação do equipamento foi de 94,4%.

Em contraste, 42,6% dos pesquisados disseram ter ficado pouco motivado ou pouco animado para votar; 4,1% optaram por não votar ou justificar a ausência.

A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 7 de novembro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram realizadas 2 mil entrevistas.


Fonte: IDG Now!



Comente nossas postagens! Com problemas para comentar? (clique aqui)


Gostou desse assunto, envie para seus contatos.


Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.BlogdoFabioRodrigues.com.br
Contato: FabioRodrigues@FabioRodrigues.com


Eletrodomésticos - Submarino.com.br Esporte & Lazer - Submarino.com.br Jóias & Relógios - Submarino.com.br

Clique aqui e leia texto completo

4 de dez de 2010

"Os brasileiros já vem fazendo política nesses novos paradigmas da internet" - Marcelo Branco.


Por Lia Segre, no Observatório do Direito à Comunicação

O Observatório conversou com Marcelo Branco sobre internet, mídias sociais e política. Geek desde os anos 80, ele é um dos principais militantes de software livre do país. Como conta, está na internet antes mesmo dela nascer, mexendo com tecnologia da informação há 30 anos. É membro do Conselho científico do programa internacional de estudos superiores em software livre na Universidade Aberta de Catalunha, foi coordenador do projeto Software Livre Brasil, e diretor do Campus Party Brasil por três anos. Mais recentemente, foi coordenador de mídias sociais na campanha da candidata eleita Dilma Rousseff do PT.

Ativista pela liberdade do conhecimento, como se define, Marcelo é a favor de uma internet rica e libertária, e acredita que, mais do que um novo meio de comunicação, ela está mudando a forma dos humanos se relacionarem, inclusive politicamente, que pressiona Estado e setores da sociedade a tomarem novos valores como transparência, participação, fim de hierarquia, liberdade de expressão e colaboração.

Militância na internet: se trata de furar bloqueio da mídia?

Acho que algumas vezes militância na internet pode furar bloqueio da mídia, mas vai além do embate. A mídia de massas muitas vezes na visão de jornalistas se expressa dessa forma, como espaço de contrapor a mídia e grupos de comunicação. Serve para isso também, mas o objetivo é muito mais amplo.

A internet transformou formas de relacionamento e organização que surgiram na era industrial, e isso se manifesta nos veículos de massa – eles são espaços tecnológicos da era industrial, de período anterior.

Internet trouxe inovação na forma de se relacionar. É um novo espaço de disputa, não é mais um meio de comunicação de massa, diferente do período anterior é uma nova forma de fazer as coisas. A esquerda tem tido dificuldades para utilizar esse meio pela falta de compreensão do novo período, mais do que a própria direita. Quem não modificar a forma como faz as coisas, pensar de forma analógica no período digital...

Militância na rede pode furar bloqueio da mídia e pauta mídia de massa, que foi o que aconteceu na minha vida agora [nas eleições presidenciais]. Acho que é nova forma de organização dos movimentos, nova possibilidade de organização dos movimentos que a humanidade não tinha experimentado.

A comunidade software livre, está na origem da internet, a comunidade que deu origem a essa rede. Os criadores da internet obviamente, por terem criado a tecnologia, experimentaram essa nova forma de relacionamento onde a colaboração é valor mais importante que competição. Nas sociedades em rede, a proteção do direito à propriedade intelectual, segredo industrial são valores ultrapassados. Os conceitos agora são abertura, inovação... Mas isso não significa que conceitos novos sejam conceitos da esquerda.

A esquerda e os movimentos populares sofrem a mesma dificuldade de se reposicionar nesse novo cenário, mais do que capitalismo e corporações, porque também são organizações da era industrial.

Os movimentos sociais estão fazendo isso, aprendendo a mexer com internet. Para o militante, serve para organizar atividades, mobilização, é diferente de como era no período anterior. O espaço agora é horizontal, não tem hierarquia na a forma de organizar.

As organizações do passado, partido sindicato, tem conselho, executiva, presidente, e essa estrutura hierárquica. No caso da nova forma de se associar na rede, esses valores não são importantes, eles atrapalham. Isso de centralizar a partir do voto não serva na internet. Lá, é adesão espontânea, vai ter adesão de milhares. É ato voluntário, mas jamais na internet existe centralismo. A adesão a uma ação vai depender da capacidade de sedução da ação. Essa tem sido a dinâmica.

A comunidade software livre foi a primeira comunidade. Ela apontou as formas de relacionamento que estão indo pros demais setores. Hoje no capitalismo há trabalhos colaborativos, as grandes corporações perseguem isso, não é só da esquerda. A economia precisa se abrir, se adaptar aos novos valores da era da sociedade de rede. E os movimentos sociais acho que também.

Acho que deixei muito comprido. Mas resumindo, internet não é espaço só pra combater a mídia. As empresas de comunicação tão indo mais rápido de compartilhar do que os partidos de esquerda. “Suba as fotos, você que está na esquina, suba a foto, mande um vídeo do youtube”. Quantos sindicatos quantas organizações populares fazem isso? Esse novo espaço, de fazer as coisas diferentes: abertura, transparência como obter mais adesão possível às suas propostas?

O capitalismo usa os novos atributos da rede pra vender. No caso desse espaços de colaboração, não necessariamente é espaço onde a esquerda está familiarizada, pois obedeceu historicamente a estruturas rígidas hierárquicas.

Em relação a comunicação, o que muda na comunicação? É só um aspecto, no caso, veio pra mudar. A primeira fase da internet, que é 1.0, era a dos grandes portais, e está sendo substituída. A era dos portais transmitia conteúdos de vídeo, de textos e de áudio, de voz através de matérias jornalísticas no mesmo espaço. Então com bons ou maus conteúdos, era aquele o espaço de transmissão de conteúdo.

A 2.0 ou colaborativa essa sim, dos últimos cinco anos, que os usuários se apropriaram dela, passou a ser internet que muda a natureza da comunicação. A internet é espaço de colaboração. E é a primeira vez que a matriz de uso do público é a mesma do jornalista e do editor.

Rádio, TV, seja do movimento popular, partido ou Folha de S.Paulo, você não podia responder, pois a matriz de mídia do público e do editor era diferenciada. É uma grande mudança que acontece, pela primeira vez na história da humanidade, a matriz do público é a mesma matriz do jornalista. Não existem mais diferenças de potencial tecnológico entre editor e público.

Isso possibilitou dinâmica de relação horizontal. No passado as maiores audiências eram da BBC de Londres, e nos EUA o The New York Times pois tinham bons conteúdos. E isso mudou hoje: os espaços na internet de maior audiência são onde o público interage, que hoje são os de maior conteúdo. O público internauta não vai dar audiência apenas ao local onde tem mais conteúdo, mas onde pode proporcionar conteúdo.

A natureza da comunicação na internet é diferente da natureza anterior, onde um gupo de comunicação, um sindicato, construíam conteúdos e coloca para ser consumido pelo público, que é a forma histórica de fazer.

Comunicação de rede é diferente da comunicação de massa. Tudo isso é mudança muito forte dos valores da internet. A internet verdadeira é essa dos últimos anos.

As mudanças que estamos enfrentando na humanidade é uma mudança de paradigma. Todo intermediário vive uma crise. A internet veio pra questionar o papel do intermediário.

O que fazia a indústria fonográfica. Ela tinha o artista que cria a música, a banda que grava a música, era necessário passar por processo industrial, prensar vinil e CD, depois logística cara, para chegar às lojas e ao consumidor. A internet nos final dos anos 90 arrebentou esse tipo de negócio. Público podia chegar no artista sem passar pela distribuição. Observou-se que o papel do intermediário exige novo modelo, isso se aplica a todos os demais setores da sociedade.

No jornalismo isso ta acontecendo. Ele intermediava o fato. Tinha acidente de automóvel na esquina, passava pelo editor, publicava isso no veículo, e o veículo fazia isso chegar ao grande público. Agora, o povo que viu o acidente sobe o conteúdo pra internet. Pela primeira vez humanidade tem capacidade de comunicação global.

Resumindo a ópera a comunicação em rede na época das redes é diferente da comunicação feita na era das comunicações de massa. Exige participação do público, horizontalidade entre público e editor e isso vai proporcionar audiência.

Politicamente, como a internet muda a mente dos brasileiros?

Os brasileiros já vem fazendo política nesses novos paradigmas da internet há alguns anos acho que quem não tinha experimentado eram os políticos dos partidos, os estados. O entanto existem novos movimentos sócias que trabalham na rede há mais tempo.

Nesta eleição a grande novidade foi que pela primeira vez, políticos ou política tradicional, eleitores, políticos que estão nos estados passaram a convive r com essa nova forma de relacionamento. Massiva, do encontro dos políticos tradicionais do mundo. Pela primeira vez a política tradicional faz o encontro com novas formas de relacionamentos. Mas já tinha indivíduo e grupos que fizerem política na rede. Quem não fazia eram os partidos, por não conhecerem.

Resumindo: o que mudou no Brasil foi mudança na legislação anterior. Diferente das eleições anteriores que consideravam a internet mais um meio de comunicação de massas, eles regulavam a rede de forma rígida. Assim como regula propaganda na TV e no rádio, a legislação mudou e graças a dois vetos do presidente Lula a internet passou a ser lugar de participação mais livre.

Ela passou a ser pros legisladores, espaço de expressão individual. Não só os candidatos, mas qualquer pessoa poderia se manifestar. Vivemos um dos momentos mais ricos da democracia brasileira dos últimos anos. Milhões de pessoas se posicionaram em relação ao processo político utilizando ferramentas multimídias, subindo vídeos, sejam caseiros, elaborados, fazendo cobertura jornalística... Demos prioridade à colaboração de conteúdo na campanha da Dilma. Neste ano nessas eleições que passaram, pela primeira vez cidadão políticos apoiadores passaram a ser protagonistas dos conteúdos em relação à disputa eleitoral.

Apenas no rádio e TV, apoiadores da candidatura não podiam contribuir com conteúdo, não tinha papel protagonista. Aquilo que a campanha falaria. Quem deu os rumos das mais diversas candidaturas foram os eleitores na rede.

Passamos na campanha da Dilma a deixar sua própria opinião a respeito do que vinha acontecendo no processo eleitoral. Sua própria particularidade de texto. A eleição no Brasil devolveu ao militante protagonismo do processo político. Coisa que não acontecia há muito tempo.

Internet é espaço incontrolável. Não tem como dizer “só pode falar isso sobre a Dilma”. Isso não acontece. Nós estimulamos a descentralização, militantes se manifestaram de forma massiva, milhares de blogueiros e militantes tiveram protagonismo.

Falei sobre política em entrevista ao Antonio Martins do Le monde Brasil, clique aqui. Tem dois anos esse artigos. Confira o aúdio, clicando aqui.

Democracia

A internet qualificou a democracia. Não só em relação à disputa dos projetos, mas também democratizou a possibilidade do militante influir na campanha do seu próprio candidato. Não é só democracia entre projetos. Também internamente nas campanhas, democratizou a construção de conteúdos, e isso deu poder ao internauta, que não tinha em relação com seu candidato. Então é claro que democratizou do ponto de vista da democracia - milhões de pessoas se pronunciando, Isso não acontecia antes, para a democracia isso é fantástico. Os internautas colocaram suas opiniões. Foram e filmaram os comícios. Então, acho que isso fez acontecer o processo democrático, se deu no Brasil e também nos EUA.

Obama fez o uso internet mais primitiva. O Obama falando com os eleitores. Esse foi o forte da campanha dele, no Brasil não aconteceu da mesma forma. Os próprios eleitores falando, “oi Dilma!”, isso não se deu desta maneira.

É incontrolável do ponto de vista da liberdade de expressão, não há como enquadrar ou centralizar, e isto é rico. Pois nenhum individuo pode ser controlado. No seu Orkut, no seu Facebook, ou no seu blog. Enquanto tivermos liberdade na internet, ela é incontrolável do ponto de vista positivo que isso possa significar.

Mas há riscos – ela está sob ameaça. Com o fim da neutralidade da rede, pois hoje a gente goza de neutralidade, e isso é um conceito de origem. Os criadores da web defendem a manutenção da neutralidade da rede, conceito raiz da internet: ninguém pode controlar fluxo das comunicações.

Por exemplo, falar qual a velocidade de vídeo, de mp3, se for fulano, se ele paga menos, vai ser diferente do que de alguém que paga mais. A operadora pode oferecer mais banda, mas não pode controlar o fluxo da banda que contratou. O fim da neutralidade, é que ela possa ser controlada por questões econômicas ou políticas. A neutralidade é básica, é ameaça do senador Azeredo. Senado aprovou ano retrasado projeto de lei que o presidente Lula na semana passada, pela 2ª vez se manifesta contra a lei [PL 84/99]. Pra garantir liberdade de expressão é preciso garantir liberdade na rede. Em vários lugares onde a liberdade de expressão ta ameaçada, internautas conseguem furar controle e censura porque internet é livre.

A internet é democrática?

É a mídia mais democrática que existe no mundo. Não tem plataforma democrática com essa possibilidade. Grande praça publica, ágora, onde todos, tendo conectividade, podem se manifestar. A barreira está na conectividade, a banda. Essa é a barreira. Então é claro que é democrática, não há nenhum espaço onde esses canais podem se expressar.

[Nesse cenário], o papel do Estado, relação do Estado, precisa mudar. Não tem sentido a sociedade se comunicar de uma forma pra organizar festa, pra manifestação, e quando a sociedade se relaciona com a Estado é daquela forma burocrática. Acho que o Estado vai ficar mais 2.0. depois dessas eleições.

Jovens

Sobre o ponto de vista, da geração Y, dos direitos civis, liberdade de expressão, eles tem em média conceitos resolvidos, superiores a gerações anteriores. Liberdade de expressão: sindicato, partido político, feminismo, essas coisas nos ensinava valores. A média da sociedade não tinha isso como direito, mas hoje qualquer jovem dos 9 aos 15 anos, tem claro esses valores. Eles são contra censura, controle. A nova geração pós internet tem construído direitos civis sobre o direito de se expressão superior à minha geração.

No entanto, é óbvio. Como a esquerda tá custando a compreender os outros valores politizados, a forma de relacionamentos da internet, dá para dizer que nos outros aspectos os jovens não assimilaram os valores do passado. Valores como reforma agrária, socialismo.. Isso pode ser construído.

Quem defende esses conceitos, continuar dizendo [palavras de ordem como] “todos à luta”, não vai funcionar. A forma de se comunicar com esses jovens precisa ser alterada pelos interlocutores que tem idéias, do meu ponto de vista, positivas, propostas que fazem a sociedade avançar. Dá para dizer que o nativo digital é nativo na defesa da liberdade de expressão e contra a censura. Não aprendeu isso na cartilha da esquerda.

E o que achou da expressão dos jovens nessas eleições?

É óbvio nessa campanha da Dilma tive oportundade de ver militantes do Serra, apoiadores, milhares de pessoas na rede se posicionando contra a Dilma com visão homofóbica, machista, preconceituosa, racista. Discriminatória. Isso foi a coisa que mais me deixou preocupado e indignado. Até agora pós eleições ainda faço a varredura diária, e é puro preconceito. Que ela é feia, sapatona, guerrilheira, a guerra religiosa... Eu acho que a campanha do Serra ajudou a dar visibilidade a visões racistas, xenofóbicas. Em relação a valores da sociedade, que remetem aos anos 60, mas ao mesmo tempo há jovens progressistas, os valores conservadores estão em disputa. As redes socais e a internet não é espaço da direita ou da esquerda.

A internet permite novos relacionamentos, onde novas disputas vão se combater. E há espaço para aparecer uma juventude fascistinha. Um dia depois que a Dilma ganha fazem campanha contra nordestinos. Depois teve a campanha contra direito de livre expressão dos homossexuais. Coisas inadmissíveis na sociedade moderna. Temos que travar dura batalha na rede contra esse tipo de atitude conservadora. Combater isso de forma política na rede, e em alguns casos utilizando o aparato judicial. Preconceito racial é crime no Brasil.

Socialismo e Internet

Tenho formação de esquerda socialista histórica. A Internet como forma de funcionamento está mais perto dos valores do anarquismo do que do socialismo, pois há a própria forma descentralizada autônoma.

É Claro que a visão histórica socialista pode se beneficiar com a Internet. Há um campo positivo pra ser construído e refundado sob os novos valores. Agora não dá pra esquecer o que eu lhe falei anteriormente: o próprio socialismo, e os partidos de esquerda socialista, são frutos de organizações de origem industrial. Foram fortes porque existiam em cima dessas ideias, desse mundo operário. Para os ideias socialistas terem força na rede, a prática dos militantes têm que se modificar. E passar a construir seus valores de forma dogmática, não pode.

Ninguém vai seguir uma ideia. E ao não seguir, então acho que a internet é boa possibilidade dos ideais socialistas se refundarem. Com novas ideias progressistas, avançadas que surgirá com Internet, e que esquerda não dominava. A esquerda até pouco tempo defendia as patentes, e ainda há pessoas que as defendem.

Militante do PC - vamos falar de liberdade da propriedade do conhecimento. Se ele falasse isto há 15 anos trás, íamos agora falar que queremos socializar os meios de produção, e democratizar movimento, e isso não é o que a esquerda que defendeu. A esquerda pra ter êxito na internet, precisa aprender bastante; e, principalmente, com jovens que talvez não entendam tanto de socialismo, mas sabem se comunicar nas redes sociais, e assim a construção coletiva pode superar a esquerda tradicional.



Comente nossas postagens! Com problemas para comentar? (clique aqui)

Gostou desse assunto, envie para seus contatos.

Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.BlogdoFabioRodrigues.com.br
Contato: FabioRodrigues@FabioRodrigues.com


Clique aqui e leia texto completo
Clique no link "Postagem(ns) mais antiga(s)" (acima), para continuar lendo nosso blog. E a qualquer momento clique no link "Início" para voltar a página inicial.