11 de jun de 2010

Sobre mídia e política


Por Marcelo Salles, no Fazendo Media

1) Num país muito, muito distante, pela primeira vez uma mulher tinha chances reais de ser eleita Presidente da República. Ela tem as qualificações necessárias. Lutou contra o regime autoritário (coragem e idealismo), foi ministra de um dos governos mais bem avaliados pelo povo (competência), enfrentou e venceu uma doença grave (força e esperança). Mas seu adversário era um homem poderoso. Poderoso e aliado dos principais veículos de comunicação de massa. Foi assim que durante a campanha eleitoral esses veículos de comunicação conseguiram duas proezas: 1) inventaram o crime de dossiê, que não está previsto no Código Penal, e o atribuíram aos aliados da candidata; 2) ao inventar o crime de dossiê, eles ajudaram a encobertar os crimes – esses sim previstos no CP – cometidos pela turma do candidato poderoso, quando ela estava no governo federal. Porque, afinal de contas, era isso que tinha no tal dossiê, crimes cometidos nas privatizações, fato jornalístico docemente omitido pelas corporações de mídia desse país muito, muito distante.

2) Segundo pesquisa do Ibope, a audiência da Globo segue em queda. O mês de maio terminou com o pior resultado já obtido ela emissora entre 7h e 0h, na Grande São Paulo: 16,3 pontos. Isso representa meio ponto de ibope a menos que o obtido em abril. Cada ponto no ibope equivale a cerca de 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

3) Ao declarar que o governo boliviano é cúmplice do tráfico de cocaína para o Brasil, Serra faz uma escolha arriscada. Em lugar de provocar o debate mais amplo sobre a questão das drogas, ele investe no radicalismo binário. A culpa é do índio maluco. Serra vai buscar a tese do inimigo externo justo no país vizinho, cujo PIB não chega a um décimo do brasileiro. Mas tem um governo de esquerda, que erradicou o analfabetismo e, muito importante, tem um povo que o aprova em sua grande maioria. Nada de atacar o imperialismo ianque ou seu enclave na América do Sul, a Colômbia. O grande inimigo do Brasil, para Serra, é a Bolívia. Um raciocínio que projeta a criminalização da pobreza – muito presente no modo demotucano de governar – em níveis continentais e nos lembra que a política externa que ele defende é a do alinhamento automático às grandes potências.

4) Sobre as eleições na Colômbia, é bom ficar de olhos bem abertos. As pesquisas de opinião davam empate técnico, mas o candidato uribista, Manoel Santos, ex-ministro da Defesa, venceu o primeiro turno com quase o dobro dos votos. Observadores internacionais disseram que muitos eleitores deixaram de votar por conta da “violência”. A direita põe a culpa nas Farc. Eu tenho lá minhas dúvidas. Por que as Farc fariam uma ação que favorecesse o candidato uribista?

5) Blogueiros progressistas do Brasil: uni-vos! O chamado é de Luiz Carlos Azenha, em seu Viomundo.com.br: “Estivemos reunidos em um restaurante de São Paulo: eu, Altamiro Borges, Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães e Conceição Lemes. Mais um pouco não seria um jantar, mas uma conspiração. Tratamos de uma ideia que não é necessariamente nova, nem original: da convocação de um Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. (…) agora que temos leitores, do mesmo jeito que aconteceu nos Estados Unidos, um país de dimensões continentais, acreditamos na necessidade de um encontro presencial entre blogueiros. Para que as pessoas se encontrem e se conheçam”. Íntegra aqui: http://www.VioMundo.com.br/opiniao-do-blog/o-encontro-nacional-de-blogueiros-progressistas.html.



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3 comentários:

  1. Dossiê é detergente

    Funciona assim: contrato alguém para espionar a mim mesmo, descobrir segredos que possam interessar aos adversários. Aparece uma lista de capivaras incômodas e a partir de então ficamos atentos. Assim que os farejadores alheios puxam aqueles rabichos, e antes que possam organizá-los em alguma investigação compreensível, saímos a público denunciando que estão a elaborar um maldoso dossiê. Para provar, até divulgamos o assunto. Sempre que aparece aquela suspeita, reagimos com indignação democrática, devolvendo o prejuízo à imagem dos “arapongas”.
    Qualquer campanha a prefeito de cidade mediana tem sua equipe de contra-informação. A maioria é formada por jornalistas (quem disse que o diploma não serve para nada?), mas há também publicitários, ex-policiais e aspones em geral. Eles se conhecem, é um meio relativamente fechado. E não há ingênuos: repórter ou analista que cobre eleições para grande veículo e nega a existência desses grupos em todos os partidos está sendo mentiroso. Para entender o alcance da estrutura a serviço de José Serra, basta realizar uma pesquisa rápida nos arquivos de qualquer jornal, procurando menções a Serra, à Polícia Federal e a Marcelo Itagiba. Isso vem de longe e não deveria mais causar espanto.
    Talvez o PT esteja correto em sua estratégia de tratar o caso como histeria de perdedor. Mas, precisando, pode partir das próprias denúncias preventivas da Veja, que levantou a lebre e misteriosamente "esqueceu" de averiguá-la. É batata.

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  2. Franciscode Assis Carlos24 de jun de 2010 10:14:00

    Os marqueteiros do Serra ainda não entenderam que a grande maioria do eleitorado ainda não sabem o que dossiê, por isso mesmo sempre que o assunto é levantado a Dilma sobe nas pesquisas de opinião. O PSDB/DEM/PPS, teriam que apresentar projetos ou mesmo falar do tempo em eles foram governo, das privatizações, do arrocho salarial, como quase matavam os aposentados de fome, como deixaram o Brasil na miseria de pires na mão e na mâo do famigerado FMI e muito outros assuntos de interesse dos neoliberais. No mais, dossiê, não passa de histeria de quem sabe que já perdeu.

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  3. Francisco de Assis Carlos1 de jul de 2010 09:07:00

    Os marqueteiros do PSDB/DEM/PPS, também não entenderam que Sergio Guerra, não sabe nada de coordenação de campanha, o que ele entende mesmo é de cavalos, é criador em Pernambuco, tanta celeuma por um vice, onde esta o Rodrigo Maia, o senador José Agripino Maia, que passou toda a legislatura contra todas as ações sociais, economicas e politicas, fazendo oposiçao ao governo e ao Brasil, velha raposa, faz hoje pouca referencia ao Serra, nem parece o candidato dele, já esta até encontrando alguma virtude no Lula, é o mêdo das urnas, estão fazendo de conta que a eleição é só Estadual, no mais tudo não passa de hipocrisia de quem sabe que vai perder já no primeiro turno.

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