8 de jun de 2010

RS: Ameaçada por “cartão vermelho”, base de Yeda vota projeto polêmico

Moradores do Morro de Santa Teresa, que faz parte da área
a ser vendida, protestam contra a votação de Projeto de Lei
que permitirá a venda por valor irrisório.

Por Ayrton Centeno, no Brasília Confidencial

Sob pressão de centenas de manifestantes que levantavam cartões vermelhos diante do prédio da Assembleia Legislativa, os deputados gaúchos adiaram para hoje a votação do projeto em que a governadora Yeda Crusius (PSDB) oferece pela bagatela de R$ 79,3 milhões os 74 hectares mais cobiçados de Porto Alegre, situados diante do estádio Beira-Rio, com direito a visão perene da capital gaúcha e do estuário do Guaíba. Custa pouco mais de R$ 1 milhão por hectare. Para a especulação imobiliária é a barganha do ano. Basta saber que, a poucas quadras dali, cada hectare do terreno do antigo estádio do Internacional é oferecido por R$ 9,2 milhões.

“Este projeto tira a nossa casa, a nossa vida, o nosso direito de sobreviver”, discursou a dona de casa Nora Nei da Silveira Ferreira, uma das líderes das seis comunidades ameaçadas pela venda do terreno da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), antiga Febem/RS, junto ao morro Santa Teresa, no bairro Menino Deus.

Como os moradores, ambientalistas e sindicalistas foram impedidos de entrar na sede do Legislativo, Nora Nei desafiou os deputados com seu palavreado seco e direto do alto do caminhão de som:

Vocês têm que tirar a bunda dessas cadeiras e deixar a gente entrar, porque nós é que botamos vocês aí”.

Sobrou para a governadora Yeda uma referência à mal explicada compra de sua mansão:

A senhora disse que sua casa não foi roubada. Pois a nossa também não!

“Daqui não saio, daqui ninguém me tira” cantavam moças e rapazes das seis vilas do morro segurando faixas onde se lia “Não à venda da área da Fase”, “Levanta favela!” ou “O luxo dos ricos ameaça o nosso futuro”.

De quando em quando, o locutor da manifestação perguntava: “Quem votar contra o povo, o que vai ganhar?”. E a resposta: “Cartão vermelho”, dizia a multidão erguendo os cartões.

Acampamento

Antigo companheiro de José Lutzenberger, um dos maiores nomes do ambientalismo brasileiro, o ex-vereador Caio Lustosa lembrou as lutas passadas contra a devastação ambiental e se solidarizou com as comunidades.

Três vereadores de Porto Alegre – Sofia Cavedon e Carlos Todeschini, ambos do PT, e Fernanda Melchiona, do PSol — subiram ao carro de som para comunicar que a Câmara Municipal, por unanimidade, decidira pedir a retirada do projeto de pauta e entregara moção neste sentido ao presidente da Assembléia, Giovani Cherini (PDT). O Tribunal de Justiça já pedira aos deputados que não votassem o projeto da maneira como fora encaminhado. Na semana passada, o Ministério Público Estadual fizera a mesma recomendação.

Porém, à tarde, após a reunião de líderes, Cherini comunicou que o projeto irá a votação nesta quarta sob pena de trancar a pauta. O deputado Elvino Bohn Gass (PT) percebeu a intenção da base de Yeda de votar favoravelmente à proposta, o que inclui PMDB, PSDB, PP, PPS e PTB. A oposição reúne, sobretudo, o PT, PCdoB e PSB. Há expectativa, dos oposicionistas, de que DEM e PDT também se posicionem contra a venda do terreno. Segundo o sindicato que representa os funcionários da Fase, a proposta não explica como ficará a situação dos 23 hectares protegidos pela lei ambiental e das duas mil famílias que vivem nas seis vilas do morro.

No projeto, o Estado vende ou troca os 74 hectares para aplicar o dinheiro na construção de nove unidades descentralizadas da Fase. Além do governo e de sua base do Legislativo, opinou a favor da proposta o Conselho de Supervisão dos Juizados Regionais da Infância e da Juventude.

Moradores das seis comunidades, ambientalistas, funcionários públicos, sindicalistas, estudantes e apoiadores prometem montar acampamento diante do Legislativo e não arredar pé do local para acompanhar a votação. Eles advertem que o deputado que “entregar a área para a especulação” terá seu nome e sua foto espalhada em outdoors para a população saber como se comportou. Para dona Nora será “o momento de saber quem está contra nós”.



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