30 de dez de 2010

Rumo do novo marco regulatório depende de definições no Ministério das Comunicações




A indicação de Paulo Bernardo como ministro da Comunicações não define com clareza o tratamento que será dado ao debate da mudança do marco regulatório das comunicações no novo governo. A pauta está hoje sob a coordenação de Franklin Martins, ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social, que é favorável a um projeto que estabeleça um rompimento com a atual estrutura do ministério. Embora concorde com a necessidade de reestruturação do órgão, Paulo Bernardo prefere primeiro cuidar das tarefas que o levaram pra lá, ou seja, Correios e Programas de Inclusão Digital, incluindo o Plano Nacional de Banda Larga.

Dependendo da composição do segundo e terceiro escalão, o tema do marco regulatório pode terminar órfão. As escolhas de quem vai ocupar a Secretaria Executiva e de quem vai coordenar a Secretaria de Serviços de Comunicação Social Eletrônica (SSCSE) parecem ser decisivas para apontar os rumos do debate.

O secretário aventado pela imprensa para a SSCSE, André Barbosa Filho, pode não estar interessado em levar adiante uma discussão da qual pouco participou. Atual assessor da Casa Civil para radiodifusão, Barbosa se aproximou do setor nos últimos anos por causa da TV digital e poderia não se dispor a comprar as brigas inevitáveis em um processo como este. Este Observatório buscou contato com o assessor, mas foi informado de que ele se encontra em férias.

César Alvarez, assessor da Presidência da República atualmente responsável pelos programas de inclusão digital, trabalha para levar sua equipe para o Ministério das Comunicações, mas ainda não definiu com o novo ministro onde eles ficariam abrigados.

Conflitos entre as empresas

Entre os radiodifusores, há posições distintas sobre o assunto. Enquanto a Abert, que reúne Globo, Record e SBT, fala apenas na necessidade de ajustes na legislação, com mínima interferência estatal, outras emissoras, como a Bandeirantes e RedeTV, reunidas na Associação Brasileira de Radiodifusores (ABRA), colocam-se a favor de transformações mais profundas. “O marco regulatório demanda uma grande revisão para garantir a pluralidade das fontes de informação e a repressão ao abuso do poder econômico que hoje acontece”, afirma Walter Ceneviva, vice-presidente executivo do Grupo Bandeirantes de Comunicação.

Durante a I Conferência Nacional de Comunicação, da qual participou ativamente, a ABRA apresentou uma proposta que limita em 50% a proporção de ingressos publicitários de qualquer emissora no mercado de televisão. A proposta foi aprovada e está entre as 633 resoluções da Conferência. Ceneviva ressalta, contudo, que não adiantam mudanças se não houver exigência do cumprimento da lei. “É preciso que as leis atuais e as do futuro sejam cumpridas. Hoje há uma tolerância com a ilegalidade muito negativa para todos”, ressalta.

Mesmo entre os associados da Abert há divergências relevantes. O SBT publicou comunicado oficial no dia 14 em que afirma que “para estimular a competição e garantir a pluralidade da informação e dos conteúdos é necessário que existam mecanismos para o controle, de fato, da propriedade cruzada, especialmente para evitar formação de monopólios e/ou oligopólios”. O alvo é claro, e a declaração é um sinal de que a discussão do novo marco regulatório pode acirrar essas diferenças internas à associação.

Reforço da pauta

Entre os atores da sociedade civil interessados na mudança do marco regulatório, a expectativa é que o debate avance em 2011 e provoque mudanças concretas no setor. Para Celso Schröder, Coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o marco regulatório precisa ser ousado e não pode se configurar como uma acomodação de pressões de corporações e organizações patrimonialistas. “O novo ministro e sua equipe devem se dedicar a articular essa política para o futuro, tratando a comunicação como política de Estado”, diz Schröder. “O novo marco regulatório é a oportunidade para fazer isso. O governo tem legitimidade, ambiente e as ferramentas necessárias e precisa enfrentar esse debate”, completa.

Em novembro, a Secretaria de Comunicação Social realizou um seminário sobre convergência de mídias comparada que demonstrou a existência de regulação de conteúdo na maioria das democracias europeias. “O seminário desmontou o discurso contra a regulação”, diz Schröder. O evento comparou as diferentes estratégias que estão sendo usadas para tratar o tema das comunicações, e demonstrou uma tendência de se tratar conjuntamente telecomunicações e radiodifusão. De fato, as fronteiras entre esses dois setores estão cada vez mais turvas tanto para o mercado quanto para o usuário.

Para Jonas Valente, do coletivo Intervozes, a condução da reforma do marco regulatório “é uma tarefa central e deve ser encarada, a exemplo do que aconteceu na Argentina, dentro de um amplo processo de consulta pública e mobilização". Valente destaca ainda o desafio de re-estatizar o Ministério das Comunicações, parafraseando o professor da Universidade de Brasília, Murilo Ramos. “Isso significa torná-lo novamente um instrumento do Estado, e não das empresas, para formular o conjunto das políticas do setor, bem como para implantar parte substancial dela”. Schröder aponta na mesma direção. “O Ministério das Comunicações não pode ser um ministério menor, apenas com funções cartoriais”, diz o coordenador do FNDC.


Fonte: Observatório do Direito à Comunicação



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24 de dez de 2010

Último pronunciamento do Presidente Lula - Emoção para tod@s.





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23 de dez de 2010

Feliz Natal e um 2011 Cheio de Vitórias!


Por Fábio Rodrigues

Mais um ano termina. Energia se renova no corpo e na alma. Nem parece que o outro dia, dia 1º de janeiro, é simplesmente mais um dia. O que você fez de bom? O que você ainda vai fazer?

Quero agradecer a visita e participação de tod@s nesse ano que se passou, e ao mesmo tempo pedir desculpa pelos dois últimos meses que estive bastante ausente aqui no blog. Depois da vitória da companheira Dilma, no dia 31 de outubro, diminui um pouco o acelerador. E olhe que não era nenhuma Ferrari, quem sabe apenas um Fusquinha.

Estou com alguns projetos em mente e outros em execução. Comecei uma pos-graduação em Gestão Pública. Não quero abandonar o blog, mas vou ter que programar intervenções semanais. Espero que compreendam, e quem puder ajudar estamos de portas abertas para contribuições.

Ano que vem espero trazer novidades, quem sabe nov@s colunistas, uma nova linha editoral, não só política partidária, mas também direito do consumidor, dicas de como navegar com segurança na internet, democratização da comunicação social, ...

Quero deixar um abraço fraterno virtual para todos amigos leitores, desejando muita paz, saúde e felicidades, votos estes extensivo para seus familiares. Que o Natal sirva para perdoamos nossos pais, filhos, irmãos, marido, mulher, namorados, avós, tios, primos, amigos, colegas e até desconhecidos. Qualquer que seja o motivo, exercite a arte de Perdoar, Ame mais as pessoas do seu lado e não busque nelas apenas seus defeitos, tente visualizar suas qualidades e ampliá-las. Um 2011 Cheio de Vitórias para todos nós e um grande beijo no coração.

Enfim, viver, lutar, amar, trabalhar, estudar, agradecer, acreditar, realizar, ...



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22 de dez de 2010

Na diplomação, Dilma promete honrar as mulheres, cuidar dos mais frágeis e governar para todos


A presidente eleita Dilma Rousseff e o vice Michel Temer foram diplomados pelo TSE nesta sexta-feira (17). Com um discurso de seis minutos e meio, ela exaltou a figura do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ressaltou a importância da chegada de uma mulher ao posto mais alto de comando do País.

"É uma grande emoção tanto do ponto de vista da minha trajetória política como também da minha situação como mulher brasileira", disse Dilma.

Dilma afirmou que é uma “grande responsabilidade” suceder um presidente da “estatura” do presidente Lula e prometeu “honrar as mulheres, cuidar dos mais frágeis e governar para todos". Disse ainda que vai trabalhar pela estabilidade econômica do país e defender a liberdade de imprensa.

Declarou que é preciso aliar crescimento econômico com desenvolvimento social. “Nenhuma estratégia política e econômica é efetiva se não se refletir na vida de cada trabalhador, empresário e família.”

Dilma elogiou a Justiça Eleitoral pela modernidade na apuração dos votos nas eleições deste ano a forma como conduziu o processo eleitoral.

“Nós conquistamos no Brasil um processo excepcional. A lisura e eficiência da nossa justiça eleitoral são reconhecidas em todo o mundo”, disse.

A presidente eleita afirmou que o povo brasileiro amadureceu ao eleger um trabalhador e uma mulher para a Presidência da República.

Dilma também se disse emocionada . "Sem sombra de dúvida é uma imensa emoção receber esse diploma da corte responsável pelo processo eleitoral brasileiro", declarou.


Fonte: Portal PT



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13 de dez de 2010

Preconceito: um gol contra!




Por Fábio Rodrigues

Este vídeo acima demonstra como algumas pessoas ainda possuem preconceito para com os mais pobres. É, no mínimo, vergonhosa uma atitude como essa em pleno século XXI.

E o pior é que essa atitude é feita num meio de comunicação de alcance elevado e com um poder de influenciar a opinião pública. Podendo gerar uma cultura divisionista, onde os problemas sociais tenham sido gerados por apenas uma parte da sociedade, nesse caso específico os mais pobres. Que na realidade esses são vítimas dessa sociedade capitalista, consumista, individualista e excludente.

Lembro-me também nesse momento a forma inaceitável que Boris Casoy tratou os garis. Pena que algumas pessoas ainda acham que essas demonstrações de arrogância, prepotência e superioridade sejam aprováveis.

Enfim, esse blog se manifesta totalmente contrário a qualquer atitude descriminatória, quer seja com pobres, negros, mulheres, homossexuais, religiosos, ou qualquer outra minoria. Temos a certeza que só conseguiremos uma sociedade melhor quando houver o respeito pleno as visões, opiniões e atitudes divergentes e conflitantes. Democracia não é só voto de 2 em 2 anos!


Clique aqui e acesse todas postagens relacionadas a Boris Casoy.



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6 de dez de 2010

Frase do Mês - Novembro de 2010



Postagens relacionadas:"Frase do Mês - Outubro de 2010", clique aqui.
"O bom debate sobre a Blogosfera (XVII)", clique aqui.



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5 de dez de 2010

Internet supera jornal, rádio e revista como fonte de informação nas eleições


Pesquisa divulgada pelo TSE mostra que web ficou em 3.o lugar na escolha do eleitor para se informar sobre o 1.o turno, atrás apenas da TV e de conversas.

A Internet superou jornais, rádios e revistas como meio de informação do eleitor para a votação do primeiro turno, revelou pesquisa divulgada na segunda-feira (29/11) pelo Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com o relatório elaborado pelo Instituto Sensus a pedido do TSE, o meio Internet foi citado por 9,9% como o mais utilizado para se informar. Ficou atrás apenas da TV (56,6%) e de conversas com amigos e parentes (18,4%).

No levantamento, o jornal impresso foi apontado como meio mais utilizado por 6,4% e o rádio, por 4,2% dos entrevistados. As revistas foram a opção de 0,7%. Não houve respostas múltiplas - a soma das escolhas foi de 100%.

Na escolha de fonte de informação para a decisão de voto do segundo turno, contudo, a Internet aparece em sétimo lugar, com 1,7%, mesmo peso da leitura de jornais e revistas. Os debates entre os candidatos apareceram em primeiro lugar, com 18,8%; os programas dos candidatos na TV vêm em segundo, com 15,5%. Opinião de amigos, colegas de trabalho e parentes foram a escolha de 6,2% dos pesquisados.

Em relação à urna eletrônica, a pesquisa apontou que 85% das pessoas não tiveram dificuldade em operá-la. O índice de aprovação do equipamento foi de 94,4%.

Em contraste, 42,6% dos pesquisados disseram ter ficado pouco motivado ou pouco animado para votar; 4,1% optaram por não votar ou justificar a ausência.

A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 7 de novembro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram realizadas 2 mil entrevistas.


Fonte: IDG Now!



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4 de dez de 2010

"Os brasileiros já vem fazendo política nesses novos paradigmas da internet" - Marcelo Branco.


Por Lia Segre, no Observatório do Direito à Comunicação

O Observatório conversou com Marcelo Branco sobre internet, mídias sociais e política. Geek desde os anos 80, ele é um dos principais militantes de software livre do país. Como conta, está na internet antes mesmo dela nascer, mexendo com tecnologia da informação há 30 anos. É membro do Conselho científico do programa internacional de estudos superiores em software livre na Universidade Aberta de Catalunha, foi coordenador do projeto Software Livre Brasil, e diretor do Campus Party Brasil por três anos. Mais recentemente, foi coordenador de mídias sociais na campanha da candidata eleita Dilma Rousseff do PT.

Ativista pela liberdade do conhecimento, como se define, Marcelo é a favor de uma internet rica e libertária, e acredita que, mais do que um novo meio de comunicação, ela está mudando a forma dos humanos se relacionarem, inclusive politicamente, que pressiona Estado e setores da sociedade a tomarem novos valores como transparência, participação, fim de hierarquia, liberdade de expressão e colaboração.

Militância na internet: se trata de furar bloqueio da mídia?

Acho que algumas vezes militância na internet pode furar bloqueio da mídia, mas vai além do embate. A mídia de massas muitas vezes na visão de jornalistas se expressa dessa forma, como espaço de contrapor a mídia e grupos de comunicação. Serve para isso também, mas o objetivo é muito mais amplo.

A internet transformou formas de relacionamento e organização que surgiram na era industrial, e isso se manifesta nos veículos de massa – eles são espaços tecnológicos da era industrial, de período anterior.

Internet trouxe inovação na forma de se relacionar. É um novo espaço de disputa, não é mais um meio de comunicação de massa, diferente do período anterior é uma nova forma de fazer as coisas. A esquerda tem tido dificuldades para utilizar esse meio pela falta de compreensão do novo período, mais do que a própria direita. Quem não modificar a forma como faz as coisas, pensar de forma analógica no período digital...

Militância na rede pode furar bloqueio da mídia e pauta mídia de massa, que foi o que aconteceu na minha vida agora [nas eleições presidenciais]. Acho que é nova forma de organização dos movimentos, nova possibilidade de organização dos movimentos que a humanidade não tinha experimentado.

A comunidade software livre, está na origem da internet, a comunidade que deu origem a essa rede. Os criadores da internet obviamente, por terem criado a tecnologia, experimentaram essa nova forma de relacionamento onde a colaboração é valor mais importante que competição. Nas sociedades em rede, a proteção do direito à propriedade intelectual, segredo industrial são valores ultrapassados. Os conceitos agora são abertura, inovação... Mas isso não significa que conceitos novos sejam conceitos da esquerda.

A esquerda e os movimentos populares sofrem a mesma dificuldade de se reposicionar nesse novo cenário, mais do que capitalismo e corporações, porque também são organizações da era industrial.

Os movimentos sociais estão fazendo isso, aprendendo a mexer com internet. Para o militante, serve para organizar atividades, mobilização, é diferente de como era no período anterior. O espaço agora é horizontal, não tem hierarquia na a forma de organizar.

As organizações do passado, partido sindicato, tem conselho, executiva, presidente, e essa estrutura hierárquica. No caso da nova forma de se associar na rede, esses valores não são importantes, eles atrapalham. Isso de centralizar a partir do voto não serva na internet. Lá, é adesão espontânea, vai ter adesão de milhares. É ato voluntário, mas jamais na internet existe centralismo. A adesão a uma ação vai depender da capacidade de sedução da ação. Essa tem sido a dinâmica.

A comunidade software livre foi a primeira comunidade. Ela apontou as formas de relacionamento que estão indo pros demais setores. Hoje no capitalismo há trabalhos colaborativos, as grandes corporações perseguem isso, não é só da esquerda. A economia precisa se abrir, se adaptar aos novos valores da era da sociedade de rede. E os movimentos sociais acho que também.

Acho que deixei muito comprido. Mas resumindo, internet não é espaço só pra combater a mídia. As empresas de comunicação tão indo mais rápido de compartilhar do que os partidos de esquerda. “Suba as fotos, você que está na esquina, suba a foto, mande um vídeo do youtube”. Quantos sindicatos quantas organizações populares fazem isso? Esse novo espaço, de fazer as coisas diferentes: abertura, transparência como obter mais adesão possível às suas propostas?

O capitalismo usa os novos atributos da rede pra vender. No caso desse espaços de colaboração, não necessariamente é espaço onde a esquerda está familiarizada, pois obedeceu historicamente a estruturas rígidas hierárquicas.

Em relação a comunicação, o que muda na comunicação? É só um aspecto, no caso, veio pra mudar. A primeira fase da internet, que é 1.0, era a dos grandes portais, e está sendo substituída. A era dos portais transmitia conteúdos de vídeo, de textos e de áudio, de voz através de matérias jornalísticas no mesmo espaço. Então com bons ou maus conteúdos, era aquele o espaço de transmissão de conteúdo.

A 2.0 ou colaborativa essa sim, dos últimos cinco anos, que os usuários se apropriaram dela, passou a ser internet que muda a natureza da comunicação. A internet é espaço de colaboração. E é a primeira vez que a matriz de uso do público é a mesma do jornalista e do editor.

Rádio, TV, seja do movimento popular, partido ou Folha de S.Paulo, você não podia responder, pois a matriz de mídia do público e do editor era diferenciada. É uma grande mudança que acontece, pela primeira vez na história da humanidade, a matriz do público é a mesma matriz do jornalista. Não existem mais diferenças de potencial tecnológico entre editor e público.

Isso possibilitou dinâmica de relação horizontal. No passado as maiores audiências eram da BBC de Londres, e nos EUA o The New York Times pois tinham bons conteúdos. E isso mudou hoje: os espaços na internet de maior audiência são onde o público interage, que hoje são os de maior conteúdo. O público internauta não vai dar audiência apenas ao local onde tem mais conteúdo, mas onde pode proporcionar conteúdo.

A natureza da comunicação na internet é diferente da natureza anterior, onde um gupo de comunicação, um sindicato, construíam conteúdos e coloca para ser consumido pelo público, que é a forma histórica de fazer.

Comunicação de rede é diferente da comunicação de massa. Tudo isso é mudança muito forte dos valores da internet. A internet verdadeira é essa dos últimos anos.

As mudanças que estamos enfrentando na humanidade é uma mudança de paradigma. Todo intermediário vive uma crise. A internet veio pra questionar o papel do intermediário.

O que fazia a indústria fonográfica. Ela tinha o artista que cria a música, a banda que grava a música, era necessário passar por processo industrial, prensar vinil e CD, depois logística cara, para chegar às lojas e ao consumidor. A internet nos final dos anos 90 arrebentou esse tipo de negócio. Público podia chegar no artista sem passar pela distribuição. Observou-se que o papel do intermediário exige novo modelo, isso se aplica a todos os demais setores da sociedade.

No jornalismo isso ta acontecendo. Ele intermediava o fato. Tinha acidente de automóvel na esquina, passava pelo editor, publicava isso no veículo, e o veículo fazia isso chegar ao grande público. Agora, o povo que viu o acidente sobe o conteúdo pra internet. Pela primeira vez humanidade tem capacidade de comunicação global.

Resumindo a ópera a comunicação em rede na época das redes é diferente da comunicação feita na era das comunicações de massa. Exige participação do público, horizontalidade entre público e editor e isso vai proporcionar audiência.

Politicamente, como a internet muda a mente dos brasileiros?

Os brasileiros já vem fazendo política nesses novos paradigmas da internet há alguns anos acho que quem não tinha experimentado eram os políticos dos partidos, os estados. O entanto existem novos movimentos sócias que trabalham na rede há mais tempo.

Nesta eleição a grande novidade foi que pela primeira vez, políticos ou política tradicional, eleitores, políticos que estão nos estados passaram a convive r com essa nova forma de relacionamento. Massiva, do encontro dos políticos tradicionais do mundo. Pela primeira vez a política tradicional faz o encontro com novas formas de relacionamentos. Mas já tinha indivíduo e grupos que fizerem política na rede. Quem não fazia eram os partidos, por não conhecerem.

Resumindo: o que mudou no Brasil foi mudança na legislação anterior. Diferente das eleições anteriores que consideravam a internet mais um meio de comunicação de massas, eles regulavam a rede de forma rígida. Assim como regula propaganda na TV e no rádio, a legislação mudou e graças a dois vetos do presidente Lula a internet passou a ser lugar de participação mais livre.

Ela passou a ser pros legisladores, espaço de expressão individual. Não só os candidatos, mas qualquer pessoa poderia se manifestar. Vivemos um dos momentos mais ricos da democracia brasileira dos últimos anos. Milhões de pessoas se posicionaram em relação ao processo político utilizando ferramentas multimídias, subindo vídeos, sejam caseiros, elaborados, fazendo cobertura jornalística... Demos prioridade à colaboração de conteúdo na campanha da Dilma. Neste ano nessas eleições que passaram, pela primeira vez cidadão políticos apoiadores passaram a ser protagonistas dos conteúdos em relação à disputa eleitoral.

Apenas no rádio e TV, apoiadores da candidatura não podiam contribuir com conteúdo, não tinha papel protagonista. Aquilo que a campanha falaria. Quem deu os rumos das mais diversas candidaturas foram os eleitores na rede.

Passamos na campanha da Dilma a deixar sua própria opinião a respeito do que vinha acontecendo no processo eleitoral. Sua própria particularidade de texto. A eleição no Brasil devolveu ao militante protagonismo do processo político. Coisa que não acontecia há muito tempo.

Internet é espaço incontrolável. Não tem como dizer “só pode falar isso sobre a Dilma”. Isso não acontece. Nós estimulamos a descentralização, militantes se manifestaram de forma massiva, milhares de blogueiros e militantes tiveram protagonismo.

Falei sobre política em entrevista ao Antonio Martins do Le monde Brasil, clique aqui. Tem dois anos esse artigos. Confira o aúdio, clicando aqui.

Democracia

A internet qualificou a democracia. Não só em relação à disputa dos projetos, mas também democratizou a possibilidade do militante influir na campanha do seu próprio candidato. Não é só democracia entre projetos. Também internamente nas campanhas, democratizou a construção de conteúdos, e isso deu poder ao internauta, que não tinha em relação com seu candidato. Então é claro que democratizou do ponto de vista da democracia - milhões de pessoas se pronunciando, Isso não acontecia antes, para a democracia isso é fantástico. Os internautas colocaram suas opiniões. Foram e filmaram os comícios. Então, acho que isso fez acontecer o processo democrático, se deu no Brasil e também nos EUA.

Obama fez o uso internet mais primitiva. O Obama falando com os eleitores. Esse foi o forte da campanha dele, no Brasil não aconteceu da mesma forma. Os próprios eleitores falando, “oi Dilma!”, isso não se deu desta maneira.

É incontrolável do ponto de vista da liberdade de expressão, não há como enquadrar ou centralizar, e isto é rico. Pois nenhum individuo pode ser controlado. No seu Orkut, no seu Facebook, ou no seu blog. Enquanto tivermos liberdade na internet, ela é incontrolável do ponto de vista positivo que isso possa significar.

Mas há riscos – ela está sob ameaça. Com o fim da neutralidade da rede, pois hoje a gente goza de neutralidade, e isso é um conceito de origem. Os criadores da web defendem a manutenção da neutralidade da rede, conceito raiz da internet: ninguém pode controlar fluxo das comunicações.

Por exemplo, falar qual a velocidade de vídeo, de mp3, se for fulano, se ele paga menos, vai ser diferente do que de alguém que paga mais. A operadora pode oferecer mais banda, mas não pode controlar o fluxo da banda que contratou. O fim da neutralidade, é que ela possa ser controlada por questões econômicas ou políticas. A neutralidade é básica, é ameaça do senador Azeredo. Senado aprovou ano retrasado projeto de lei que o presidente Lula na semana passada, pela 2ª vez se manifesta contra a lei [PL 84/99]. Pra garantir liberdade de expressão é preciso garantir liberdade na rede. Em vários lugares onde a liberdade de expressão ta ameaçada, internautas conseguem furar controle e censura porque internet é livre.

A internet é democrática?

É a mídia mais democrática que existe no mundo. Não tem plataforma democrática com essa possibilidade. Grande praça publica, ágora, onde todos, tendo conectividade, podem se manifestar. A barreira está na conectividade, a banda. Essa é a barreira. Então é claro que é democrática, não há nenhum espaço onde esses canais podem se expressar.

[Nesse cenário], o papel do Estado, relação do Estado, precisa mudar. Não tem sentido a sociedade se comunicar de uma forma pra organizar festa, pra manifestação, e quando a sociedade se relaciona com a Estado é daquela forma burocrática. Acho que o Estado vai ficar mais 2.0. depois dessas eleições.

Jovens

Sobre o ponto de vista, da geração Y, dos direitos civis, liberdade de expressão, eles tem em média conceitos resolvidos, superiores a gerações anteriores. Liberdade de expressão: sindicato, partido político, feminismo, essas coisas nos ensinava valores. A média da sociedade não tinha isso como direito, mas hoje qualquer jovem dos 9 aos 15 anos, tem claro esses valores. Eles são contra censura, controle. A nova geração pós internet tem construído direitos civis sobre o direito de se expressão superior à minha geração.

No entanto, é óbvio. Como a esquerda tá custando a compreender os outros valores politizados, a forma de relacionamentos da internet, dá para dizer que nos outros aspectos os jovens não assimilaram os valores do passado. Valores como reforma agrária, socialismo.. Isso pode ser construído.

Quem defende esses conceitos, continuar dizendo [palavras de ordem como] “todos à luta”, não vai funcionar. A forma de se comunicar com esses jovens precisa ser alterada pelos interlocutores que tem idéias, do meu ponto de vista, positivas, propostas que fazem a sociedade avançar. Dá para dizer que o nativo digital é nativo na defesa da liberdade de expressão e contra a censura. Não aprendeu isso na cartilha da esquerda.

E o que achou da expressão dos jovens nessas eleições?

É óbvio nessa campanha da Dilma tive oportundade de ver militantes do Serra, apoiadores, milhares de pessoas na rede se posicionando contra a Dilma com visão homofóbica, machista, preconceituosa, racista. Discriminatória. Isso foi a coisa que mais me deixou preocupado e indignado. Até agora pós eleições ainda faço a varredura diária, e é puro preconceito. Que ela é feia, sapatona, guerrilheira, a guerra religiosa... Eu acho que a campanha do Serra ajudou a dar visibilidade a visões racistas, xenofóbicas. Em relação a valores da sociedade, que remetem aos anos 60, mas ao mesmo tempo há jovens progressistas, os valores conservadores estão em disputa. As redes socais e a internet não é espaço da direita ou da esquerda.

A internet permite novos relacionamentos, onde novas disputas vão se combater. E há espaço para aparecer uma juventude fascistinha. Um dia depois que a Dilma ganha fazem campanha contra nordestinos. Depois teve a campanha contra direito de livre expressão dos homossexuais. Coisas inadmissíveis na sociedade moderna. Temos que travar dura batalha na rede contra esse tipo de atitude conservadora. Combater isso de forma política na rede, e em alguns casos utilizando o aparato judicial. Preconceito racial é crime no Brasil.

Socialismo e Internet

Tenho formação de esquerda socialista histórica. A Internet como forma de funcionamento está mais perto dos valores do anarquismo do que do socialismo, pois há a própria forma descentralizada autônoma.

É Claro que a visão histórica socialista pode se beneficiar com a Internet. Há um campo positivo pra ser construído e refundado sob os novos valores. Agora não dá pra esquecer o que eu lhe falei anteriormente: o próprio socialismo, e os partidos de esquerda socialista, são frutos de organizações de origem industrial. Foram fortes porque existiam em cima dessas ideias, desse mundo operário. Para os ideias socialistas terem força na rede, a prática dos militantes têm que se modificar. E passar a construir seus valores de forma dogmática, não pode.

Ninguém vai seguir uma ideia. E ao não seguir, então acho que a internet é boa possibilidade dos ideais socialistas se refundarem. Com novas ideias progressistas, avançadas que surgirá com Internet, e que esquerda não dominava. A esquerda até pouco tempo defendia as patentes, e ainda há pessoas que as defendem.

Militante do PC - vamos falar de liberdade da propriedade do conhecimento. Se ele falasse isto há 15 anos trás, íamos agora falar que queremos socializar os meios de produção, e democratizar movimento, e isso não é o que a esquerda que defendeu. A esquerda pra ter êxito na internet, precisa aprender bastante; e, principalmente, com jovens que talvez não entendam tanto de socialismo, mas sabem se comunicar nas redes sociais, e assim a construção coletiva pode superar a esquerda tradicional.



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28 de nov de 2010

Imagem do tráfico que a TV não mostra



Fonte: Blog do Miro



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Nova equipe econômica de Dilma defende austeridade

Mantega, Miriam e Tombini

A nova equipe econômica da presidenta eleita Dilma Rousseff, composta por Guido Mantega (Ministério da Fazenda), Alexandre Tombini (Banco Central) e Miriam Belchior (Ministério do Planejamento), concedeu a primeira entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (24), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília A Tônica das exposições foi a continuidade política econômica do governo Lula.

O ministro disse que irá manter a produção do superávit primário (economia que o governo faz para pagar a dívida pública, não contando com o custeio público), para reduzir a dívida pública brasileira. “O Brasil tem um dos menores déficits do mundo e vamos continuar assim, porque o sistema de metas vai continuar sendo cumprido”.

De acordo com Mantega o objetivo para esses próximos quatro anos é reduzir os gastos do governo.“Dois mil e onze será ano de consolidação fiscal”, afirmou. E, segundo o ministro, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) vai receber menos recursos do Tesouro Nacional, diminuindo os subsídios gastos pelo Estado e aumentando condições para que o setor privado possa fazer financiamentos a longo prazo.

A engenheira e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior, deu ênfase ao aprimoramento do planejamento das ações governamentais, melhorando a qualidade dos gastos e dos serviços prestados aos cidadãos. Para isso, segundo ela, é essencial o aumento dos investimentos públicos e privados, que têm papel virtuoso no crescimento econômico e de infraestrutura. “O que nos move é a convicção de que o planejamento de boa qualidade gerencial nos leva a responder aos desafios da realidade nacional”.

“Dilma gostaria de valorizar o planejamento, potencializar ações de curto e médio prazo e mapear as de longo prazo para que o Brasil possa crescer e ser menos desigual. Como medidas prioritárias então, por exemplo, a melhoria da segurança, o combate às drogas e o nfrentar disparidade entre os recursos disponíveis e aquele que é necessário para cumprir a demanda. Queremos seguir modernizando a administração pública Federal focada no cidadão”, afirmou a coordenadora do PAC.

Como exemplo de políticas nesse sentido ela citou a eliminação das filas do INSS: “Quem poderia dizer há alguns anos que nós não teríamos mais filas? Unificação da Receita Federal (Fazenda e Previdenciária) permitiu que tanto pessoa jurídica como física tenha uma única porta para bater”.

Miriam falou ainda sobre continuar a ampliar e melhorar o atendimento governamental pela Internet, que de acordo com ela, já conta com 80% dos serviços realizados por meio eletrônico; os serviços de ouvidoria, com o objetivo de descobrir onde estão os problemas na prestação da administração e trabalhar com foco em resultados.

Já o economista Alexandre Tombini, que é o atual diretor de Normas do Banco Central (BC) e ainda vai depender da sabatina no Senado para ser ministro-diretor do BC, falou dos três pilares da estrutura macroeconômica brasileira: continuar com as metas de inflação, regime simplificado e de fácil entendimento para a sociedade e a prestação de contas com transparência. “Esse regime precisa de transparência e isso vem sendo feito e vem sendo consolidado”.

Tombini afirmou a importância continuar com a redução das vulnerabilidades econômicas no cenário internacional. “O País acumulou e vem acumulando reservas que nos dá segurança. Pela primeira vez na história o Brasil, tivemos condições de adotar medidas macroeconômicas de apoio à economia durante a crise. E é de conhecimento mundial a rapidez com que saímos da crise”.

“Tive longas e muito boas conversas com a presidenta Dilma nesse processo de escolha e ela disse que nesse regime não há meia autonomia, é autonomia total, perseguindo objetivos do governo e a meta de inflação. O BC precisa continuar contribuindo com o protagonismo na cena internacional, buscando a regulação financeira internacional que evite que o mundo passe por outra crise como à de 2008.


Fonte: Dilma.com.br



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26 de nov de 2010

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25 de nov de 2010

O bom debate sobre a Blogosfera (XVII)


Por Fábio Rodrigues

Ontem foi um dia muito especial para a Blogosfera. Posso dizer que seria interessante estabelecer o "Dia da Blogosfera Brasileira", dia 24/11. Momento em que a maior autoridade executiva do país, o Presidente Lula, falou com "simples" blogueiros. Penso que a velha imprensa chorou muito. E o Lula ainda deixou essa: "Serei blogueiro, serei twitteiro".

Algumas ciumeiras foram criadas sobre como foi a seleção dos felizardos. Acredito que faz parte da blogosfera o questionamento e o bom debate. Quem não gostou da forma que os organizadores do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas fizeram as escolhas, tem o direito de divergir. Os escolhidos podem também expor suas opiniões. Só acredito que não adianta troca de farpas. Um diálogo respeitoso precisa ser a regra.

Aproveitamos também esse momento em que a blogosfera consegue um destaque mais que merecido, para listar novos sites que indicam esse singelo blog, são eles:

Dilma na Rede
http://dilmanarede.com.br/blogueirs-com-dilma/s-blogueirs-com-dilma

Rede PT SP
http://redeptsp.com.br/blogs-de-apoiadores-na-web

Participa BR
http://www.participabr.com.br/paginas/blogues-dilmistas

PT SP
http://www.pt-sp.org.br/indicamos/

Enfim, queremos agradecer a paciência e o carinho que nossos amigos leitores sempre tem com nosso trabalho. Trabalhamos para sempre acertar, mas temos a plena consciência que o erro é natural de quem faz alguma atividade. Quem seria infalível?


Postagem relacionada: "O bom debate sobre a Blogosfera (XVI)", clique aqui.



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Publicidade Oficial - Onde o calo dói


Por Venício A. de Lima, no Observatório da Imprensa

No auge da disputa eleitoral de 2010, quando o governo e a grande mídia faziam acusações mútuas, o presidente Lula, em entrevista concedida ao portal Terra, travou o seguinte diálogo com seus entrevistadores:

Terra – (...) O senhor tem feito críticas duras, dizendo que a imprensa, a mídia tem um candidato e não tem coragem de assumir e, ao mesmo tempo, o contraditório diz que existiria um Projeto Político (...) para "enquadrar meios de comunicação". (...) O que mais incomoda o senhor: é a cobertura (ser) crítica de um lado e não existir a investigação sobre os demais candidatos? Seria isso? (...) O senhor está dizendo que ela [a imprensa] é desequilibrada? Só está cobrindo um lado e não está cobrindo...

Presidente Lula – (...) Eu acho que a imprensa está cumprindo um papel importante quando ela denuncia. Por quê? Ou você sabe por que alguém denunciou, ou você sabe por que alguém cobriu ou você sabe por que saiu na imprensa. Quando sai alguma coisa na imprensa você vai atrás. (...) Vou te dar um exemplo, sem citar jornal. Na campanha passada, os caras diziam, "porque o avião do Lula...", porque o Aerolula... Passando para a sociedade, disseminando umas bobagens, vai despolitizando a sociedade. Agora, estão dizendo que a TV pública é a TV do Lula. Nunca disseram que a TV pública de São Paulo é do governador de São Paulo e as outras são dos outros governadores. Agora, uma TV para um presidente que está terminando o mandato daqui a três meses, é a TV Lula. Ou seja, esse carregamento de... composto de... de muita... de muita, eu diria, de muito preconceito ou de muita até, eu diria até, às vezes, ódio, demonstra o que? (...) [a imprensa] se comporta como se o pessoal da Senzala tivesse chegando à Casa Grande. (...) Agora, a verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação desse País. A verdade é essa. A verdade é que você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais...

Terra – Nos municípios, isto tem uma capilaridade: o chefe político tal...

Presidente Lula – Então, muita gente não gostou quando, no governo, nós pegamos o dinheiro da publicidade e dividimos para o Brasil inteiro. Hoje, o jornalzinho do interior recebe uma parcela da publicidade do governo. Nós fazemos propaganda regional e a televisão regional recebe um pouco de dinheiro do governo. Quando nós distribuímos o dinheiro da cultura, por que só o eixo Rio – São Paulo e não Roraima, e não o Amazonas, e não o Pernambuco, e não o Ceará receber um pouquinho? Então, os homens da Casa Grande não gostam que isso aconteça. (Ver aqui a íntegra da entrevista.)

No trecho da entrevista acima reproduzido, o presidente Lula atribui o comportamento desequilibrado da mídia brasileira (1) ao fato de que "nove ou dez famílias" controlam a comunicação no país; (2) ao preconceito em relação a um operário ter chegado à presidência da República; e (3) à política de regionalização das verbas oficiais de publicidade iniciada em seu governo.


Clique aqui e leia essa postagem completa no Observatório da Imprensa.



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Cerca de meio milhão de brasileiros e brasileiras dizem SIM ao limite da propriedade de terra



O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo entregou no dia 19 de outubro à sociedade brasileira o resultado do Plebiscito Popular sobre o Limite da Propriedade, realizado de 1º a 12 de setembro

Por Assessoria de Comunicação FNRA

Participaram deste plebiscito 519.623 pessoas, em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal. Só não participaram do mesmo, Santa Catarina, Amapá e Acre que optaram por fazer o abaixo-assinado, somente. Eram admitidas à votação pessoas acima de 16 anos, portanto em condições de votar.

Duas foram as perguntas formuladas às quais se devia responder sim ou não.

A primeira: Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil, devem ter um limite máximo de tamanho?

A segunda: Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?

95,52% (495.424) responderam afirmativamente à primeira pergunta, 3,52% (18.223), negativamente, 0,63% foram votos em branco e 0,34%, votos nulos.

Em relação à segunda pergunta os que responderam sim foram 94,39% (489.666), 4,27% (22.158) responderam não, 0,89 % foram votos em branco e 0,45%, votos nulos.

Considerando as dificuldades enfrentadas tanto na produção, quanto na distribuição de um mínimo de material, pela falta de recursos e de pessoal disponível; considerando que o Fórum e outras entidades envolvidas não tiveram acesso a qualquer veículo de comunicação de massas; considerando o momento, quando as atenções estão voltadas e os militantes envolvidos nas campanhas eleitorais, pode-se saudar o resultado como muito positivo.

Mais de meio milhão de pessoas se posicionou afirmativamente em relação à necessidade e à conveniência de se colocar um limite à propriedade da terra. Este é um indicador expressivo de que a sociedade brasileira vê a proposta como adequada. É uma amostragem do que pensa boa parcela do povo brasileiro. As pesquisas de opinião ouvem duas ou três mil pessoas e seus dados são apresentados como a expressão da vontade da sociedade!

Mas o que se pode ressaltar como o mais positivo, e que os números não expressam, é todo o trabalho de conscientização que se realizou em torno do plebiscito. Foi desenvolvida uma pedagogia que incluiu reflexão, debates, organização de comitês, divulgação e outros instrumentos sobre um tema considerado tabu, como é o da propriedade privada.

Em quase todos os estados foram realizados debates em universidades, escolas, igrejas e outros espaços em que se pôde colocar a realidade agrária em toda sua crueza. Para muitos, cujo contato com o campo é praticamente nulo, estes debates abriram um horizonte novo no conhecimento da realidade brasileira. Também se pode saudar como fruto precioso deste processo, os inúmeros trabalhos e textos produzidos pela academia sobre o arcabouço jurídico que se formou em torno à propriedade da terra e sobre aspectos históricos, sociológicos e geográficos da concentração fundiária no Brasil. Não fosse a proposta do plebiscito esta reflexão não teria vindo à tona com a força com que veio.

Este ensaio está também a indicar que um Plebiscito Oficial deveria ser proposto para que todos os cidadãos e cidadãs pudessem se manifestar diante de um tema de tamanha importância para o resgate da cidadania de milhões de brasileiros e brasileiras que lutam, muitas vezes sem sucesso, buscando um pedaço de chão onde viver e de onde retirar o sustento. O Fórum vai continuar firme na luta para que seja colocado um limite à propriedade da terra.

A população brasileira também foi convidada a participar de um abaixo-assinado que continua circulando em todo país até o final deste ano. O objetivo desta coleta de assinaturas é entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional para que seja inserido um novo inciso no artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao cumprimento da função social da propriedade rural.

Já o plebiscito popular, além de consultar a população sobre a necessidade de se estabelecer um limite máximo à propriedade da terra, teve a tarefa de ser, fundamentalmente, um importante processo pedagógico de formação e conscientização do povo brasileiro sobre a realidade agrária do nosso país e de debater sobre qual projeto defendemos para o povo brasileiro. Além disso, o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade de Terra veio como um instrumento para pautar a sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de se realizar uma Reforma Agrária justa em nosso país.

A proposta da Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra visa pressionar o Congresso Nacional para que seja incluído na Constituição Federal um novo inciso que limite o tamanho da terra em até 35 módulos fiscais - medida sugerida pela campanha do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA).

Além das 54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a Assembléia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O ato ainda conta com o apoio oficial das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).

Confira os resultados por estado do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra no link abaixo:

[Arquivo para download, clique aqui]



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Encontro de Lula com Blogueiros no Palácio do Planalto - Vídeo Completo.




Fonte: Blog do Planalto



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23 de nov de 2010

Presidente Lula vai dar a primeira entrevista à Blogosfera

Lula - o "Cara"

Por Renato Rovai, no Blog do Rovai

Amanhã (quarta-feira) o presidente Lula concederá a primeira entrevista “da história deste país” à blogosfera. Solicitada por um grupo de blogueiros progressistas, ela já tem as presenças confirmadas de: Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Conceição Lemes (Viomundo), Eduardo Guimarães (Cidadania), Leandro Fortes (Brasilia Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna). Outros dois blogueiros buscam desmarcar compromissos para se integrar ao grupo.

O evento acontecerá às 9h da manhã, no Palácio do Planalto, e será transmitido ao vivo pelo Blog do Planalto (clique aqui para assistir), pelos blogs que participarão do encontro e por todos que tiverem interesse de fazê-lo. Ainda hoje vamos explicar como isso será possível.

Será uma entrevista coletiva, mas também é um momento de celebração da diversidade informativa. Ao abrir sua agenda à blogosfera o presidente demonstra estar atento às transformações que acontecem no espaço midiático e ao mesmo tempo atesta a importância dessa nova esfera pública da comunicação.

Como as coisas na blogosfera são diferentes e mais colaborativas, não serão só os presentes ao encontro que participarão. A coletiva será aberta ao público que poderá participar enviando perguntas pelo chat. O objetivo é garantir o maior grau possível de interatividade.

Por conta dos senões da agenda presidencial, só agora nos foi confirmado o evento e liberada a divulgação. Por isso temos pouco tempo para nos organizar e produzir a repercussão que a entrevista merece.

Contamos com vocês nessa tarefa: divulgando, transmitindo em seus blogs e fazendo perguntas pelo chat.

A blogosfera dá mais um passo importante.

Um passo “nunca dado na história deste país”.



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Mídias sociais impactam jornalismo


Por Lia Segre, no Observatório do Direito à Comunicação

A tecnologia das redes sociais não mudará o jeito de se fazer uma matéria. O jornalista ainda precisará entrevistar fontes, apurar a notícia. Mas por quais mudanças passa e passará o jornalismo em uma conjuntura onde 45% dos internautas substituem portal de notícias por redes sociais, em um tipo de troca de informação diferente? “O importante hoje é escutar, e praticar um jornalismo com mais humildade”, disse Juliana Sawaia, gerente de Inteligência de Mercado do Ibope durante o MediaOn, 4º Seminário Internacional de Jornalismo Online.

É muito difícil dizer algo inovador nas redes sociais, afirmou o argentino Julián Gallo. “É preciso entender a enormidade de responder a essa pergunta: que podem fazer as redes sociais por nós?”. Para ele, que é diretor de criação do Capsula 2210 e do site 2.0 do Governo da cidade de Buenos Aires, as redes sociais podem fazer muito pelo jornalismo, como uma enorme audiência, além de notícias, ideias e experimentos.

A TV pública britânica BBC tem se dedicado especialmente às redes sociais por meio de Matthew Eltringham, editor de jornalismo, que reconhece como assustadora a ideia corrente que surge com as redes sociais, de perder o controle físico da produção de conteúdo, mas isso não vai acabar com o papel clássico do jornalismo, a apuração e investigação.

“O inovador das redes sociais para o jornalismo é as pessoas se expressarem e comentarem um assunto específico” comentou o editor e um dos experts em mídias sociais da BBC News, que considera o Twitter a mídia social mais importante para os jornalistas hoje. “Uma cobertura massiva de algum acontecimento, é a história acontecendo em tempo real”. Além do usuário noticiar fatos e contar histórias que podem ser usadas por jornalistas, os próprios trabalhadores da informação conseguem compartilhar o que produzem e pautarem colegas.

O diretor de redes sociais da BBC acha que os principais usos do Twitter para o jornalismo é a procura pelo melhor material de cobertura, de pessoas envolvidas no fato, no maior “breaking news” do mundo. O potencial de compartilhador é poderoso pois permite um amplo acesso ao que é postado. Matthew compartilhou a informação de que, enquanto gastam 1 minuto em sites de notícias, internautas ficam 10 minutos no Twitter, por dia.

A estratégia que as mídias tradicionais estão adotando é tentar se apropriar da mídia e compreendê-la. Mas o revolucionário para a área é que, ao invés de apenas dizer, os jornalistas precisam escutar, acompanhar o que está acontecendo, e serem mais transparentes, “levantar a cortina” da imprensa, defendeu o jornalista inglês.

Os participantes do MediaOn em geral, e especificamente os citados acima, acreditam que ainda há espaço para a mídia tradicional pela confiança. Para não perderem audiência, elas tem que estar onde estão os leitores, o que inclui as redes sociais. “Redes farão o jornalismo nos devolver algo mais honesto, mais transparente, pois sempre tem alguém na audiência, que sabe mais da historia que você”, recomendou Julián que acha que os profissionais mais humildes são os mais criativos os que fazem mais. “A prática de ouvir o leitor, de ouvir a audiência e trazer as histórias. As redes sociais forçam o retorno ao velho e bom jornalismo, onde o mais importante era a fonte e não o repórter”.



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