6 de set de 2009

Internet é o caminho da política


Por Brizola Neto, no seu Blog

Fiquei muito impressionado quando vi esta foto aí ao lado, publicada na Folha, ontem. São mulheres de uma tribo nômade do deserto de Ghadames, na Líbia, tirando fotografias de balões com seus telefones celulares. Depois, li a matéria publicada ontem pelo Estadão, dando conta que o PT decidiu criar uma emissora online de rádio e televisão e que o PSDB se prepara para fazer o mesmo.

Aí resolvi escrever este post. Será que nós, trabalhistas, que pretendemos apontar um caminho para o futuro do nosso povo e de nosso país estamos fazendo o suficiente para disputar, na comunicação, o olhar, a atenção e o entendimento do povo brasileiro? Logo nós, que vivemos como ninguém a maldição de nos condenarem”à Sibéria”, como disse Leonel Brizola sobre sermos excluídos pelos meios de comunicação, até bem pouco tempo monopolizados pela Globo?

Li, no site do jornalista Paulo Henrique Amorim, a propósito da repressão policial na Favela de Heliópolis, em São Paulo, a informação de que há, naquela comunidade, 250 lan-houses, contra apenas uma banca de jornal. Mas os políticos, inclusive os do PDT, ficam loucos para conseguir uma pequena notinha nos jornais - muitas vezes inexpressiva e sem conteúdo - embora poucos dêem atenção à internet.

É a tola vaidade humana de ver seu nome ou sua foto estampada no papel, nem que seja naquelas fotos de “papagaio de pirata”.

Nós temos sido totalmente insuficientes nesse desafio. Fomos o primeiro partido brasileiro a usar a internet e temos alguns companheiros que seguem com suas iniciativas teimosamente heróicas, como a Rede PDT. Mesmo eu, aqui, faço o que posso, quase sem estrutura e à custa de horas que não tenho.´

Não temos uma política e uma estrutura para fazer a comunicação via internet que a política passou a exigir. Talvez por imediatismo, talvez por estarmos presos a visões antigas, que nos façam sentir tanto impacto naquela foto lá de cima, quando a gente pensa na (suposta) contradição entre beduínos e celulares.

Ou ainda porque o resultado da internet ainda não seja tangível: os vídeos contra Sarney tiveram centenas de milhares de visitas, mas as manifestações contra ele - exceto no Maranhão - apenas umas poucas dezenas de pessoas. Mas esta visão não leva em conta que as multidões, no mundo de hoje, são dispersas pelos meios de comunicação individuais: telefone, televisão, computadores.

Um projeto político moderno exige, inapelavelmente, atenção para estes novos meios da política. Uma ação eficiente nesta área, com muito profissionalismo e pouca disputa de posições, é essencial para o trabalhismo. Mas é, também, absolutamente necessária uma visão nova, menos fixada na política convencional e eleitoral, que possa mostrar como nossa visão - marcada pelo socialismo, pela brasilidade, pela independência a tabus e pelo culto aos valores humanos e à justiça - se espalha em todos os campos da vida social: na política, sim, mas também na economia, na cultura, nas artes, no convívio.

Feita esta reflexão, amigos, peço licença para contradizer-me e esperar contar com a compreensão dos amigos para voltar só após o almoço, comentando os jornais de domingo.



Não deixe de comentar nossas postagens.

Gostou desse assunto, envie para seus contatos.

Obrigado pela visita e esperamos sempre sua volta.

Site: http://www.FabioRodrigues.com
Contato: fabiorodrigues@fabiorodrigues.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Clique no link "Postagem(ns) mais antiga(s)" (acima), para continuar lendo nosso blog. E a qualquer momento clique no link "Início" para voltar a página inicial.