22 de jun de 2009

Ex-diretores do Senado faziam parte de 'quadrilha', acusa líder do PSDB

Arthur Virgílio (PSDB-AM)

Por Eduardo Bresciani, no G1

Tucano defendeu que os dois ex-diretores sejam 'demitidos e presos'. Senadores devem estar envolvidos em irregularidades, diz Arthur Virgílio.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou nesta segunda-feira (22) que os ex-diretores da Casa Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi fazem parte de uma “quadrilha”. Para Virgílio, senadores devem estar envolvidos nas irregularidades realizadas pelos servidores. A crise na Casa piorou após a revelação de que atos administrativos da Casa foram mantidos em segredo deliberadamente.

O tucano se referiu aos dois como “ladrões comprovados” e disse que a série de denúncias contra a Casa surgiram após o PSDB anunciar que não apoiaria a candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência porque este não afastaria Agaciel da diretoria-geral.

O G1 deixou recado no escritório do advogado de Zoghbi, Antonio Carlos de Almeida Castro. A secretária do advogado disse que daria o recado após ele sair da reunião da qual participava. A reportagem também deixou recado no celular de Agaciel Maia, mas não obteve resposta até o momento.

Virgílio defendeu que os dois ex-diretores sejam demitidos e presos. Afirmou, em relação a Agaciel, que tentará impedir que o funcionário se aposente.

“Talvez se eu não tivesse, com pouquíssimas informações, dito o que disse a coisa estivesse me banho-maria até hoje. (...) Essa quadrilha levou para casa pen drive e começou a soltar drops aqui, drops acolá, viagem que um fez aqui que o outro fez lá”, disse o tucano.

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O líder do PSDB afirmou que na divulgação dos atos secretos certamente se descobrirá que muitos atos foram mantidos sob sigilo como forma de chantagem para ser usado por Agaciel.

“O senhor Agaciel, formado, doutorado e pós-doutorado em chantagem, quem sabe transformou em secretos atos que não tinha porque ser secretos. É a lógica do chantagista, de acumular poder. Duvido que o senhor Agaciel tenha praticado estes crimes todos sozinho, tem senador por trás dele, tem gente com mandato por trás dele, temos que saber isso”, afirmou o tucano.

Respostas

O tucano aproveitou para explicar informações que, segundo ele, Agaciel vazava para a imprensa. Segundo Virgílio, o ex-diretor-geral vazou uma informação de que o tucano teria contratado seu professor de jiu-jítsu como funcionário de gabinete. Ele nega que o contratado seja seu “personal trainer” e garantiu que ele presta serviços no estado do Amazonas.

Virgílio atribuiu também ao ex-diretor-geral uma informação de que o senador teria se valido de um empréstimo da Casa para pagar hospedagem em Paris. O tucano disse que teve um problema com o cartão de crédito e pediu a um amigo, que era funcionário do Senado, que o ajudasse para conseguir pagar a diária. Este amigo teria procurado Agaciel, que teria feito o empréstimo.

Virgílio disse que pagou o valor emprestado na volta desta viagem, que teria acontecido há mais de cinco anos. "Nao faço negócio com chantagista de nenhuma espécie", disse o líder do PSDB.

Sarney

O senador pelo Amazonas fez provocações a Sarney, que preside a sessão. Disse não concordar com a forma com que o presidente da Casa conduz a crise. Cobrou do peemedebista uma postura de rompimento com Agaciel, que foi colocado no cargo de diretor-geral na década de 90 por Sarney. Recentemente, Sarney também foi padrinho de casamento de uma filha do ex-diretor.

Virgílio fez menção também à denúncia de que um mordomo de sua filha Roseana (PMDB-MA), atual governadora do Maranhão, é pago com dinheiro do Senado.

“Vossa excelência terá de dar explicação sobre o mordomo. Precisamos de atitudes firmes. Não considerei que sua entrevista na sexta-feira tenha sido firme. A época de panos quentes acabou. Vossa excelência precisa romper todo e qualquer laço com essa camarilha. Se vossa excelência não romper, não terá condição de comandar a casa”, afirmou Virgílio.

O tucano comentou ainda a afirmação de Sarney de que enviará ao Supremo Tribunal Federal (STF) qualquer denúncia de envolvimento de senadores nas fraudes na Casa. Virgílio entende que o mais adequado seria mandar as investigações para o Conselho de Ética. Ele afirmou ainda que não descarta encaminhar um processo contra o próprio Sarney, se for necessário.

“Não exitaria em colocar o nome de vossa excelência do Conselho de Ética, se julgar necessário”. Sarney ainda não respondeu a Virgílio.

Cristovam

Em aparte a Virgílio, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse sentir-se intimidado pelo ex-diretor-geral. Ele suspeita que Agaciel estivesse por trás da informação de que sua esposa trabalhou na liderança do PDT, divulgada na sexta-feira (19).

Cristovam afirmou que a contratação realmente ocorreu, mas teria durado poucos dias. Segundo o senador do PDT, ao ser informada que sua contratação implicaria um aumento de salário em relação ao que recebe como servidora de carreira da Câmara, sua esposa pediu para ser devolvida para a origem. “Não houve nenhum gasto extra para a Casa", disse Cristovam.

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Foto: Agência Senado



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