28 de mai de 2009

Padre Henrique é homenageado na Câmara do Recife

Padre Henrique

Com as galerias do plenário lotadas, principalmente por jovens, a Câmara Municipal do Recife homenageou o padre Antônio Henrique Pereira Neto em sessão solene na manhã desta quarta-feira, 27. Visivelmente emocionados, os vereadores Marília Arraes (PSB) e Luciano Siqueira (PCdoB), respectivamente autores da sessão e da entrega da Medalha do Mérito José Mariano, ressaltaram a importância de relembrar a morte do religioso, assassinado pela repressão, na ditadura militar. O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, participou da solenidade.

Câmara Municipal do Recife

A sessão começou às 10h. A medalha foi entregue por Luciano Siqueira e o diploma do mérito por Marília Arraes à irmã do religioso, a professora universitária Isaíras Pereira. Os alunos do turno da manhã da Escola Municipal Padre Henrique fizeram-se presentes. Um intérprete de libras – a linguagem dos surdos-mudos – transmitiu a sessão para deficientes. O padre Henrique, cujo corpo foi encontrado num terreno baldio no Engenho do Meio, no dia 29 de maio de 1969, com marcas de torturas, trabalhava na conscientização de jovens, com o apoio de Dom Helder Câmara. Até hoje a justiça não apontou os culpados pelo crime. “Acho que a justiça ainda precisa acordar. Mas não quero falar de coisas tristes. Todos os homens precisam de sonhos e esperança e essa era a bandeira do meu irmão”, disse Isaíras Pereira.

Ela relembrou o dia do sequestro e da morte do irmão, os constrangimentos, as ameaças constantes e tentativas de sequestro dos familiares, após a morte de padre Henrique. E agradeceu aos vereadores pelas homenagens e também ao ministro, que fez um discurso incluindo o padre Henrique entre os mártires e heróis da recente história do Brasil. O ministro Paulo Vannuchi elogiou a iniciativa dos vereadores da Câmara Municipal do Recife considerando que a morte do religioso foi um processo sistemático de violação dos Direitos Humanos. "Por isso, é importante relembrar os acontecimentos em sessões com esta, em inaugurações de monumentos e na educação escolar, para que as gerações mais novas não deixem fatos do gênero voltarem a acontecer”.

O ministro advertiu que, apesar de o processo que apura a morte do padre estar arquivado, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os crimes da repressão podem ser reabertos, por serem imprescritíveis.”Isso é importante porque o Judiciário fará o reconhecimento dos criminosos, nem que seja em ação declaratória”, afirmou. Neta do ex-governador Miguel Arraes, deposto do cargo, preso e exilado político, a vereadora Marília Arraes, que presidiu a primeira sessão solene do seu mandato, disse que “padre Henrique foi o primeiro padre, entre tantos, na América Latina, a ser assassinado pelo seu engajamento pastoral, mas sua morte, sua martirização de repercussão nacional e internacional, praticamente imunizou Dom Helder e outras 31 pessoas perseguidas pelo Comando de Caça aos Comunistas, CCC.”

O vereador Luciano Siqueira, que foi militante do PCdoB na mesma época de atuação do padre Henrique, disse que a homenagem tinha dois significados: “No momento em que vislumbramos alternativas concretas de desenvolvimento e mudança, somos levados a refletir e a fazer uma releitura da nossa história. Os dois sentidos desta reunião são resgatar a história e renovar os nossos ideais, as nossas esperanças de construir uma pátria livre em que predomine a solidariedade entre os homens”. Luciano Siqueira também ressaltou que “o padre Henrique, tocado pela Teologia da Libertação, foi discípulo de Dom Hélder e promoveu a compaixão, o amor ao próximo, a solidariedade, o desejo de justiça”. Ele também leu uma carta aberta à população, escrita por Dom Helder no dia 27 de maio de 1969, na qual relata os acontecimentos que estão completando 40 anos.

As irmãs do padre Henrique, Maria Concepta e Terezinha de Jesus, além de Isaíras, participaram da sessão solene. Também estiveram presentes o aluno do padre, deputado Pedro Eurico; o amigo que foi uma das últimas pessoas a vê-lo, Sérgio Brandão; a irmã de Jonas José Barros, fuzilado em 1964, Marisa Barros; o ex-militante do PCBR, Marcelo Mário Melo; a viúva de Arraes, dona Magdalena Arraes; a secretária de Direitos Humanos do Recife, Amparo Araújo; o secretário de Coordenação Política do Recife, Roberto Arraes; a mãe de Fernando Santa Cruz, Inezita Santa Cruz, e o irmão dele, o vereador de Olinda Marcelo Santa Cruz; religiosos como o padre José Edwaldo e representantes do movimento social.

Fonte: CMR

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Um comentário:

  1. Thales Velho Barreto21 de jun de 2009 23:45:00

    O Ministério Público de Pernambuco, apontou sim, os culpados pela morte do padre Henrique. A denúncia foi feita pelo procurdor geral de justiça Telga d Araújo, em 1988, após trabalho elaboado pelo então promotor dr justiça Célio Avelino. A denúncia foi aceita pelo juiz Dr Nildo Nery dos Santos. O Tribunal de Justiça decidiu pelo trancamento da ação penal e o crime foi prescrito. A denúncia, cujo texto completo pode ser conhecido através do site da Assembléia Legislativa www2.alepe.pe.gov.br:8070/alepeanais/pdf/016_11-1-002-1-094.pdf,teve ampla repercussão na imprensa e apoio de entidades,conforme textos a seguir:

    - Dona Isaíras Pereira, mãe do sacerdote: “Estou admirada da coragem do Procurador Telga Araújo, pois até um delegado já foi morto neste caso, o bacharel Sérgio Soares de Aquino”. Folha de Pernambuco, 19/08/1988;

    - Dona Isaíras Pereira sobre a denúncia: “Não fiquei otimista em qualquer momento. Mas agradeço a boa vontade de Dr. Telga – cheguei a temer pela vida dele – e de todas as entidades que lutam pela não prescrição do crime”. Jornal do Commercio, 22/10/1988;

    - Arquidiocese de Olinda e Recife, através do setor de Justiça e Paz, agradecia a coragem e “seu fiel compromisso com a sociedade que ainda acredita na Justiça dos homens, em denunciar os verdadeiros responsáveis pelo assassínio do padre Henrique há 19 anos”. Diário de Pernambuco, 31/08/1988;

    - OAB/PE, através do então presidente em exercício Jorge da Costa Pinto Neves e da secretária geral, Nadeje Domingues: “o Comitê Pela Não Prescrição – convocado pela Comissão dos Direitos Humanos – vê hoje recompensado o seu esforço com a denúncia oferecida pelo procurador geral de justiça em Pernambuco, Dr. Telga de Araújo, perante a 2ª Vara Privativa de Júri, recebida pelo juiz titular, interrompendo assim a contagem do prazo prescricional que expiraria em maio de 1989”. Assinam o documento, além da OAB/PE: Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos, Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares, Comissão de Justiça e Paz, Centro Josué de Castro, Grupo tortura Nunca Mais, Sindicato de Jornalistas e Radialistas de Pernambuco, Associação de Imprensa de Pernambuco e os Conselhos das Igrej as Anglicana e Metodista. Folha de Pernambuco, 19/08/1988.
    Essa é a História: o MPPE cumpriu o seu papel.

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