22 de abr de 2009

'Farra de passagens' atinge líderes da Câmara


Deu na Folha de S.Paulo deste domingo

Registros de companhias de aviação obtidos pela Folha revelam que caciques da Câmara dos Deputados, como dirigentes e líderes partidários, financiaram dezenas de viagens ao exterior de familiares e amigos. Entre os quais, os presidentes nacionais do PT, Ricardo Berzoini (SP), e do DEM, Rodrigo Maia (RJ).

Constam da lista também nomes como Ciro Gomes (PSB-CE), ex-candidato ao Planalto; José Genoino (PT-SP), ex-presidente do PT; Armando Monteiro Neto (PTB-PE), presidente da Confederação Nacional da Indústria; Eunício Oliveira (PMDB-CE), ex-ministro das Comunicações; e Vic Pires (DEM-PA), ex-candidato a corregedor da Câmara.

A maioria dos deputados ouvidos pela reportagem justificou os bilhetes aéreos para os parentes alegando que o regimento interno da Casa não proíbe a prática. Os destinos mais recorrentes são cidades badaladas do turismo internacional, como Nova York, Paris, Madri, Miami, Frankfurt, Buenos Aires e Santiago.

O presidente do PT, por exemplo, emitiu em dezembro de 2007 um bilhete para a capital argentina para sua filha Natasja Berzoini. Procurado pela reportagem, não ligou de volta.

Já Rodrigo Maia, além de ter levado a mulher e a filha para Nova York (EUA), bancou também uma passagem aérea para sua prima Anita para o mesmo destino. "Ela foi resolver um problema particular de saúde", disse o presidente do DEM.
Maia reconheceu que a viagem a Nova York foi a turismo. Ele levou a mulher também a Paris, mas disse que foi em missão oficial a Londres, com escala na capital francesa.

Genoino, que deixou a presidência do PT na esteira do escândalo do mensalão, em 2005, usou passagens para ele, a mulher e o filho para Madri.

Ciro Gomes emitiu duas passagens para Nova York, uma em dezembro de 2007 e a outra em abril do ano passado, para sua mãe, Maria José Gomes. Procurado pela reportagem, Ciro não ligou de volta.

Vic Pires, por sua vez, não se limitou a usar a cota aérea apenas para familiares, tendo agraciado até o namorado de sua filha com uma viagem a Miami.

Monteiro Neto emitiu bilhetes para a mulher, a filha e o filho para lugares distintos: Santiago, Madri e Buenos Aires.
O ex-ministro Eunício Oliveira bancou com recursos da Câmara, em setembro do ano passado, passagens para Miami para a mulher e a filha.

O líder do PP na Câmara dos Deputados, deputado Mário Negromonte (BA), levou para Nova York cinco familiares.
"Eu fiz economia nesses trechos [para sua base eleitoral]. Deixei de viajar, usei milhas, viajei de madrugada com passagens mais baratas. As viagens [a Nova York] foram com essa diferença", diz. "Se fosse proibido, a Casa não permitiria."

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), vice-líder do partido na Câmara, viajou com a mulher e o filho para Paris e Londres. Disse que foi em missão oficial para a capital inglesa, passando por Paris. "Não há nada de errado nisso. Se a Câmara mantiver a possibilidade de levar parente, vou continuar levando minha mulher. E se eu achar importante, também levarei meu filho", disse Aleluia.

Na última quinta-feira, após uma sucessão de escândalos relacionados às cotas aéreas, Câmara e Senado divulgaram normas para delimitar o uso do benefício. Cada deputado tem direito, mensalmente, a uma verba para a compra de passagens de acordo com seu Estado de origem. O ato da Câmara que trata do assunto, de 2000, é omisso em relação às viagens ao exterior. Nas medidas anunciadas na semana passada, os deputados não fazem referência a essas viagens.

A Procuradoria da República no Distrito Federal, que investigou o uso das cotas em 2007 e 2008, enviou ofício à Câmara na semana passada citando "inúmeras irregularidades" no uso do benefício, como "uso de passagens para o exterior não relacionado a missão oficial". O Ministério Público sugere que não sejam emitidos bilhetes "em nome de terceiros", medida não acatada pela Câmara.

Fonte: Blog de Jamildo

Postado originalmente às 13:03 - 19/04/2009.



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Um comentário:

  1. Crise ética? Moral? Ora, não sejamos tão condescendentes e usar palavras assim amenas e pomposas para definir toda aquela vagabundagem e falta de vergonha do Congresso. O que há lá é um poço sem fundo, enlameado, onde porcos famintos reviram a gamela atrás dos farelos, e todos nós os aceitamos sem gritar, sem espernear, sem questionar, ainda fazendo troça da situação, como se os respingos da lama não nos atingissem diretamente. Pelo contrário, bancamos a pocilga política.
    Tudo é aceito, por fim, em nome da democracia, mas uma democracia exercida somente por eles, porque o bolo só é dividido igualitariamente entre eles, os políticos de um governo populista que nada ver e nada ouve e nada sabe além dos ruídos das próximas eleições já à porta. Essa raça que no Congresso se especializa e finge que nos representa, decerto nunca abriu um dicionário para entender o significado da palavra ética, menos ainda moral. Vem de um molde antigo e vicioso, onde cada qual tem como objetivo primeiro locupletar suas burras ordinárias para depois, como projeto político, se for de jeito, tornar-se dono de parte do Brasil — ou do Brasil todo se possível for —, e apor o nome na velha história como se inventasse novamente a roda. Com esse sistema manjado, um colega punirá o outro jamais, por isso a bagunça está institucionalizada dentro da pocilga.
    Fosse diferente e justo e sério: um parlamentar, qualquer um que utilizasse passagens aéreas fora do propósito para o qual foram ‘inventadas’; que recebesse auxílio-moradia somente para comprar outro apartamento num flat; que desse a volta ao mundo de carro e ainda sobrasse combustível para presentear aos amigos; perderia o mandato sumariamente por falta de decoro — leia-se falta de vergonha mesmo —, sem direito a quaisquer recursos e ainda responderia na justiça por tais atos ilícitos e amorais.
    Mas como já o sabemos, a política é uma colcha de retalhos, costurada por todas as mãos sujas do poder, para entrapar o povo. Portanto, a decantada “Crise Ética” nada mais é do que uma ‘marolinha’ de olhos azuis, castanhos, negros... e outros que nada veem.

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