8 de mai de 2009

E isso é só o começo!

O povo está de olho aberto

Colunista do JC diz que sociedade já é melhor que o Parlamento

Por Fernando Castilho

A sociedade brasileira está há pelo menos uma geração (em termos de qualidade) do que nosso Congresso. O crescimento do que os analistas chamam de inclusão digital pegou os congressistas e seus auxiliares apadrinhados despreparados intelectualmente para um novo modelo de controle social que todos, rigorosamente todos, não estão preparados.

E escândalos como os das passagens serão apenas o começo de uma nova vigilância social que daqui a uma, duas ou três legislaturas, devem mudar a cara do Parlamento brasileiro, livrando-nos desse tipo de proto-parlamentar.

O que os deputados e o exército de assessores que eles levaram para Brasília apenas para cumprir cotas de compromissos de campanha não perceberam é que nos últimos anos uma palavrinha que muitos apoiaram demagogicamente seria a ferramenta que a sociedade teria para fiscalizar o Congresso.

Mais do que a Imprensa, a Justiça, o Tribunal de Contas da União e a Oposição: Transparência.

Assim, sob o manto da Transparência, o governo federal, e por consequência, os estaduais e municipais, tiveram que colocar suas contas na Internet, criar portais de acompanhamento de convênios e até quanto o Banco do Brasil deposita diariamente nas contas de cada prefeito está lá na Internet.

Muitos deputados até se armaram para informar sua atuação nos seus sitie, pois achavam que era só isso. Não era.

Qualquer analista que ler o nível de projetos apresentados individualmente pela maioria dos congressistas vai ficar espantado com a baixa qualidade. Prestação de Contas não é tabelinha de gastos na página pessoal.

E por que essa queda de qualidade é tão grande? Porque o nível intelectual do Congresso é um dos mais baixos da história. É isso que ajuda ao Executivo a desmoralizá-lo todo dia. Assim como o STF que não está legislando, mas está corrigindo a produção ruim que sai do Congresso. Isso não quer dizer que na casa não existam parlamentares bem preparados e imbuídos do desejo de servir ao contribuinte, mas eles estão em postos de comando?

E essa baixa produção se reflete no seu cotidiano. Eles simplesmente não aprenderam a fazer Oposição. Não cuidam de capturar dados do Governo em fontes primárias disponíveis na Internet. A maioria só entra na Internet para consultar e-mail, ler os blogs de política, as colunas sociais e ler rapidamente os jornais. Quantos deles (ou mesmos seus assessores técnicos) são capazes de construir um relatório compilando dados para sustentar um projeto? Na verdade, esses assessores não sabem fazer os pedidos. Assim, o parlamentar passar o tempo se articulando para ver como será financiada a próxima campanha.

Essa falta de contato com a realidade da imprensa digital brasileira, com o tratamento dos dados postados com informações facilmente cruzáveis e especialização da mídia eletrônica, detonou um processo que não vai parar.

Justiça se faça está sendo muito divertido ver parlamentares radicais, aos conhecidos por suas atuações escabrosas, além dos líderes, virem a público explicar que mandaram familiares viajar. Embora seja constrangedor ouvir deputados se arvorarem de defensores do chamado Baixo Clero.

Essa onda de denúncias vai moralizar o Congresso? Esse daí, não.

Talvez nem o próximo.

Mas vale a velha regra: a sociedade só caminha para frente. Até lá, o pessoal dos sites da mídia digital vão fazendo a sua parte, ganhando audiência para o terror de muito parlamentar que achava que estar inserido digitalmente era comprar um novo notebook numa viagem ao exterior com a patroa pago pelo dinheiro do contribuinte.

FERNANDO CASTILHO assina a coluna JC Negócios, de terça a domingo, no Jornal do Commercio.

Fonte: Blog de Jamildo

Postado originalmente às 00:13 - 25/04/2009.



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